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Por WhatsApp, atletas fazem corrente de orações por Branco

Ex-atleta da Seleção Brasileira está lutando contra a Covid-19

Pleno.News - 22/03/2021 20h40

Ex-lateral Branco está internado após ser infectado com a Covid-19 Foto: CBF/Thais Magalhães

Uma corrente de oração feita pelo grupo de Whatsapp dos jogadores tetracampeões em 94 foi realizada na última sexta-feira (19), às 18h, como mais uma forma de ajudar o ex-atleta Branco a se recuperar da ação do novo coronavírus. O ex-jogador, de 56 anos, foi internado na semana passada e, com o agravamento do seu estado de saúde, precisou ser entubado em um hospital da zona Sul do Rio de Janeiro.

Um dos tetracampeões que integram a corrente de orações, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi vem acompanhando o caso de perto.

– Estou em contato direto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o doutor Jorge Pagura me atualiza diariamente. Daí, eu repasso tudo no nosso grupo de WhatsApp. Já fizemos uma corrente de oração entre nós, cada um dentro de sua religião e suas crenças – afirmou o goleiro que foi companheiro de quarto do ex-defensor durante a Copa do Mundo de 94.

Parceiro de Branco em duas Copas do Mundo (Itália em 90, e Estados Unidos em 94) Jorginho também faz parte do grupo de WhatsApp dos tetracampeões e está atento ao estado de saúde do ex-jogador.

– Na sexta [19], às 18h, todos nós fizemos uma oração por ele – disse o ex-lateral-direito.

GRUPO DO FLU 100% MOBILIZADO
Um outro grupo de WhatsApp que representa uma fase vitoriosa da carreira de Branco também segue de perto a situação do ex-atleta. É o “grupo do tri”, formado pelos jogadores do Fluminense que foram campeões estaduais entre 1983 e 1985. O ex-zagueiro Duílio, um dos integrantes dessa turma, disse ter recebido a notícia da internação do Branco com apreensão. O motivo, foi a morte recente de Renê Weber, reserva de Assis no time carioca, vitimado por covid-19 em dezembro de 2020.

– Foi muito difícil assimilar que o Branco tinha contraído covid e estava muito mal no hospital. Tivemos essa sensação com a perda do Renê. Ficamos impotentes, sem poder fazer nada. Com o Branco, as notícias não foram boas desde o início, mas parece que agora, com a graça de Deus, e com as orações de todo mundo [de forma individual], o Branco está começando a reagir ao tratamento. Vamos esperar que isso se concretize para que ele volte ao nosso convívio – falou Duílio num tom emocionado.

Para o ex-zagueiro, o currículo vencedor que Branco demonstrou durante os tempos de jogador vai falar mais alto nesse momento delicado.

– As orações estão se intensificando. Espero que seja isso. Conto com a sua volta para nós termos novamente vitórias na seleção brasileira com ele comandando – comentou.

O início da carreira do amigo também foi lembrado por Duílio. Juntos, eles desbancaram o Flamengo e foram bicampeões estaduais em 84. No mesmo ano ainda conquistaram o Brasileiro numa final em cima do Vasco.

– Jogar com o Branco era muito fácil. Ele chegou para o time de cima junto com o Ricardo Gomes e sempre teve muita personalidade. Sabia o que queria. Era realmente um craque. O nosso relacionamento sempre foi excelente – afirmou Duílio.

Outro integrante da época das Laranjeiras que também conversou com a reportagem do Estadão foi o ex-meia Delei.

– A minha questão com o Branco é muito afetiva. No nosso grupo dos tricampeões do Fluminense, a tristeza é total. Estamos vivendo um momento de guerra e esse cara [Bolsonaro] faz de tudo uma questão política. A situação econômica tá complicada? Está. Mas então você vai deixar morrer todo mundo? Sou a favor da ciência. Se eles [profissionais da saúde] mandaram trancar [fazer lockdown], tem que trancar – esbravejou Delei, que foi deputado federal por quatro mandatos.

ZICO ACOMPANHA NOTÍCIAS DO JAPÃO
Do outro lado do mundo, o ex-jogador Zico também vem seguindo o noticiário sobre a internação do amigo. Os dois defenderam a seleção brasileira na Copa do Mundo de 86 e sempre mantiveram uma relação de amizade.

– Várias vezes o Branco participou das peladas de quarta-feira no meu centro de treinamento no Rio. É uma pessoa que eu gosto muito. Além de companheiro de seleção, o Branco também defendeu o Flamengo – apontou.

Ainda de acordo com o ex-jogador, o relaxamento de Branco com a saúde contribuiu para a contaminação do vírus.

– Ele relaxou um pouco principalmente na questão da obesidade. Amigos em comum o alertaram, mas ele não ouviu. E essa doença pega muito o pessoal que está nessa situação. Agora é rezar e torcer para que a vida dele de atleta possa conseguir resistir a esses problemas sérios que muita gente tá tendo – comentou Zico, que está trabalhando como diretor de futebol do Kashima Antlers.

A obesidade é considerada um fator de risco para diversas doenças, inclusive a Covid-19. Segundo dados do Ministério da Saúde, 20% dos adultos brasileiros estão obesos e metade da população está acima do peso.

Em um comparativo com a realidade daqui (o Brasil tem mais de 290 mil mortes por causa da pandemia), Zico disse que no Kashima Antlers, o trabalho é baseado em um rígido controle em relação à prevenção da contaminação do coronavírus.

– É até exagerado, mas importante. Todo dia a gente mede temperatura, responde questionário, fala onde foi, com quem esteve, onde jantou, se saiu da região e ainda tem aquelas coisas de máscara, álcool em gel. A gente fica resguardado. O clube tem um controle total de cada funcionário. Ano passado tivemos apenas um caso de um jogador, que não foi muito sério – disse Zico que completou 68 anos este mês.

REFERÊNCIA PARA QUEM ESTAVA COMEÇANDO
Em seu primeiro ano como profissional, o ex-goleiro Roger disse ter tido a sorte de contar com o apoio Branco dentro dos gramados.

– Foi em 95, quando jogamos juntos no Flamengo. Ele tirava qualquer pressão dos mais novos e dizia que a responsabilidade por resultados estava com os experientes. Sem falar da atenção que dava aos torcedores. Isso nunca mais saiu da minha cabeça. O Flamengo fez uma preparação em Friburgo e o Branco atendia a todos com muita atenção. Ao lado do Romário, era o mais assediado pela torcida – comentou o ex-goleiro.

Roger também falou que o avançado estágio de letalidade do vírus no Brasil tem muito a ver com a atuação do governo federal.

– Os governantes demoraram muito a adquirir a vacina. Você vê que os Estados Unidos e outros países que são referência estão bem adiantados com isso. Aqui a campanha de vacinação começa, depois para e aí retoma de novo. Não temos nem ideia de quando vamos vacinar uma boa parte da população para termos uma tranquilidade maior. O momento é muito delicado – disse Roger que também foi goleiro do São Paulo entre 1997 e 2005.

*Estadão

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