Globo decide não publicar livro sobre corrupção na Fifa
Empresa é citada quatro vezes na obra
Henrique Gimenes - 29/01/2019 21h49 | atualizado em 13/10/2021 19h02

Em 2015, a Globo Livros comprou os direitos de publicação de uma obra sobre o escândalo de corrupção da Fifa revelado naquele mesmo ano. Em 2018, a obra foi lançado nos Estados Unidos, mas, até o momento, ainda não chegou ao Brasil.
Escrito pelo jornalista Ken Bensinger, a obra se chama Red Card: How the U.S. Blew the Whistle on the World’s Biggest Sports Scandal” (“Cartão Vermelho: Como os EUA Revelaram o maior Escândalo Esportivo Mundial”). Ao jornal Folha de S.Paulo, o autor afirmou que a Globo Livros iria publicar o livro na metade do ano passado.
– É muito estranho, porque eles compraram, me pagaram, uma pessoa da Globo mostrou a meu agente o manuscrito em português, e era para ser publicado em maio, em junho, em julho, e nunca foi publicado – explicou.
No livro, que possui uma versão em português já sendo vendida em Portugal, a Globo é citada quatro vezes. Um dos trechos trata do pagamento da emissora à Fifa pelos direitos da Copa do Mundo de 2010 e 2014.
Há também o depoimento de um dos delatores do caso, J.Hawilla, que trabalhou na empresa nas décadas de 1970 e 1980 e admitiu ter pago propina a dirigentes da Fifa. A Globo é citada duas vezes em episódios relacionados ao empresário.
Por fim, a emissora aparece pela última vez no depoimento de Alejandro Buzarco, da empresa de marketing argentina Torneos y Competencias. De acordo com o empresário, a Globo e a mexicana Televisa pagaram propina à Fifa por direitos de transmissão da Copa do Mundo.
À publicação, Bensinger explicou que seu agente falou com a editora e que eles esperam o caso encerrar antes de publicar o livro no Brasil.
– Recentemente meu agente ligou para um responsável da Globo Livros e eles disseram que meu livro menciona a Globo, mas não muito, só um pouco no final. Mas eles disseram que não querem publicar até o caso criminal ser encerrado – destacou.

Leia também1 Globo ironiza presidente do Inep e Bolsonaro em Davos
2 Magno Malta diz que motivo de Jean Wyllys é "papo furado"