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Bruno encerra contrato com clube após jogar 45 minutos

Problemas com liberação do jogador para viagens motivaram rescisão mútua

Paulo Moura - 29/10/2019 09h29 | atualizado em 29/10/2019 09h31

Bruno só conseguiu jogar 45 minutos pelo Poços de Caldas FC Foto: Reprodução/TV Globo

Vinte e três dias depois da apresentação e da estreia, na qual foi ovacionado em campo e posou para selfies com torcedores, Bruno Fernandes, 34, rescindiu o contrato com o Poços de Caldas FC, time da cidade homônima, em Minas Gerais. A informação foi confirmada pelo presidente do clube nesta segunda-feira (28).

Bruno disputou apenas uma partida com o time, a sua estreia no dia 5 de outubro. O ex-goleiro do Flamengo conseguiu progressão ao regime semiaberto em julho. Ele cumpre pena de 20 anos e nove meses pelo assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010.

A pena inicial era de 22 anos e três meses, mas foi reduzida pela prescrição do crime de ocultação de cadáver. Em setembro de 2017, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais validou a certidão de óbito de Eliza. O corpo dela nunca foi encontrado.

Segundo o presidente Paulo César da Silva, a decisão foi um consenso dos dois lados e eles ainda vão discutir detalhes da rescisão. O contrato era válido até janeiro de 2020.

– A gente não consegue contar com o atleta. É complicado, entendeu? Em 60 dias de contrato, ele jogou 45 minutos, a Justiça não libera para ele treinar. É uma coisa que se torna difícil para o clube, você manter um salário alto de um jogador do nível dele para não usar – afirmou Paulo César.

Paulo César disse ainda que a Justiça negou pedidos da defesa de Bruno para que ele pudesse treinar em Poços de Caldas e jogar com o time em cidades vizinhas. A estreia dele chegou a ser adiada em setembro por questões legais. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais não retornou ao contato.

Ao jornal O Tempo, a advogada de Bruno disse que o contrato foi desfeito porque o clube não pagou o salário e não cumpriu com obrigações acordadas. Ela afirmou ainda que ele estaria analisando outras propostas. Em 2017, Bruno assinou com o Boa Esporte, de Varginha, mas voltou à prisão depois de dois meses por determinação da Justiça.

O salário de Bruno era o mais alto do elenco, disse Paulo César. Ele não quis revelar valores, alegando questões de contrato. O Poços de Caldas FC não tem renda atual, segundo o presidente, e as entradas dos jogos costumam ser doações em alimentos. Além do salário, o clube alugava um local para que Bruno treinasse em Varginha, cidade onde cumpre pena, e o combustível das viagens.

O clube, que ficou parado por um ano e sete meses, deve disputar a terceira divisão do campeonato mineiro no ano que vem. Isso só ocorrerá no segundo semestre. A comissão técnica também deixou o clube nas últimas semanas por questões de valores. Paulo César alega que os jogadores da equipe não estão inscritos na federação, porque ainda estão sendo avaliados, para só depois terem contrato assinado.

– Quem sabe tenha a possibilidade de [Bruno] disputar o mineiro conosco, se não tiver nenhum clube. Mais para a frente o clube vai ter caixa, vai estar mais organizado – afirmou o dirigente.

*Folhapress

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