Leia também:
X Tite anuncia lista dos jogadores convocados para a Copa América

Ambev segue Mastercard e também deixa a Copa América

Empresa de bebidas decidiu não expor suas marcas na competição

Gabriela Doria - 09/06/2021 16h59 | atualizado em 09/06/2021 18h35

Ambev também não irá expor sua marca na Copa América Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Após a decisão da Mastercard de não ativar suas marcas na Copa América, torneio no qual ela é patrocinadora, outras empresas estão tomando o mesmo caminho. Nesta quarta-feira (9), a Ambev anunciou sua decisão: “Ambev informa que suas marcas não estarão presentes na Copa América. A companhia segue com seu compromisso e apoio ao futebol brasileiro”.

A debandada de importantes patrocinadores ocorre em um momento turbulento da principal competição de seleções na América do Sul.

Segundo Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing, a postura da Mastercard e, agora, da Ambev são inéditos. Ele declarou: “Achei um posicionamento extremamente estratégico. Nunca tinha visto uma situação como esta. A sacada da Mastercard faz com que outras sigam esse caminho. Não me surpreenderei se isso ocorrer”.

A Copa América deveria ter sido disputada em 2020. Mas, por causa da pandemia de Covid-19, foi adiada. A realização conjunta entre Colômbia e Argentina rompeu quando o primeiro, por problemas sociais no país, abriu mão de receber as partidas. Foi então que a Argentina também optou por pular fora, por causa da dificuldade em lidar com o coronavírus em seu território.

A partir daí, o Brasil sinalizou que poderia receber a Copa, mas em um momento que os números de infectados pela Covid estão altíssimos por aqui.

“O evento vem demonstrando uma insegurança há um certo tempo e o cenário não é favorável à imagem do evento. Quando a gente pensa em evento esportivo, imagina algo alegre, que vai unir os povos, que terá interação. Mas as polêmicas provocam desgastes, e o resultado disso é o posicionamento da Mastercard. Ela continua achando a Copa América um baita evento, mas preferiu não se associar neste momento”, explica Wolff.

O especialista em marketing lembra que as marcas estão se posicionando cada vez mais, de forma natural ou por pressão dos consumidores. “Uma postura como a da Mastercard e, agora, da Ambev mostra que as empresas não estão muito à vontade com o que está acontecendo. Então elas se posicionam de forma estratégica, mas também existe um marketing por trás disso, pois as pessoas enxergam os valores da empresa.”

Procuradas pelo Estadão, outras empresas que patrocinam a Copa América ou estão ligadas de outra forma à competição ainda não se manifestaram.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) encaminhou na segunda-feira (7), ofício para que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), estados e municípios que sediarão jogos da Copa América sejam investigados por eventuais “atos violadores dos direitos à vida e à saúde”. Também serão alvos do Ministério Público Federal o SBT e a Disney, responsáveis pela transmissão dos jogos, além de algumas patrocinadoras.

Os procuradores alegam que a organização da Copa América no Brasil não tem como dar garantias de que não haverá alta transmissibilidade do vírus por aqui e que o evento colocará em risco a saúde dos funcionários ligados à competição (jogadores, comissão técnica, jornalistas, seguranças e serviços auxiliares).

Para piorar o cenário, nesta quinta (10) o Supremo Tribunal Federal fará uma sessão virtual extraordinária para discutir uma eventual suspensão da realização da competição.

E tudo isso ocorre em um momento de tensão na CBF, pois o presidente da confederação, Rogério Caboclo, está afastado por 30 dias do cargo para se defender da acusação de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. Ele foi o principal articulador da vinda da Copa América para o Brasil junto à Conmebol e ao governo federal. O presidente Jair Bolsonaro está dando total apoio à realização do torneio no país.

A Copa América tem início agendado para domingo. Em Brasília, no estádio Mané Garrincha, às 18h, a seleção brasileira enfrenta a Venezuela, pelo Grupo B. No mesmo dia, às 21h, Colômbia e Equador duelarão na Arena Pantanal, em Cuiabá. Em 14 de junho, será a vez de a Argentina começar sua jornada na competição, enfrentando o Chile, no Engenhão, às 18h. Mais tarde, às 21h, Paraguai e Bolívia jogam em Goiânia. A final do torneio está marcada para 10 de julho, no Maracanã.

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.