Ex-jogadores da NBA dizem-se elegíveis para a liga feminina
Kanter Freedom e Royce White vão usar a autodeclaração de gênero
Monique Mello - 10/08/2026 11h53 | atualizado em 10/08/2026 12h14

Dois ex-jogadores da NBA, Enes Kanter Freedom e Royce White, anunciaram a intenção de se candidatarem ao draft da WNBA em 2027, a liga profissional de basquete feminino dos Estados Unidos, usando o recurso da autodeclaração de gênero. A ação que surge no contexto do debate sobre a participação de atletas trans no basquete feminino norte-americano.
Kanter Freedom afirmou, através das redes sociais, que se considera elegível para disputar a competição. O ex-jogador justificou a decisão com base nas regras atualmente em vigor e questionou se a autoidentificação poderia ser suficiente para cumprir os critérios de participação.
White adotou uma abordagem semelhante, afirmou identificar-se como uma mulher trans e revelou a intenção de tentar construir uma carreira na WNBA.
As declarações dos dois ex-atletas acontecem depois de uma discussão que ganhou força nos EUA nas últimas semanas. O debate intensificou-se em meados de julho, quando Sophie Cunningham, jogadora do Indiana Fever, afirmou que pretendia proteger as mulheres e manifestou-se contra a participação de atletas que nasceram homens em competições femininas.
A declaração provocou reações de diferentes figuras ligadas ao basquetebol, incluindo intervenções de natureza política. Na última sexta-feira (7), a WNBPA, sindicato que representa as jogadoras da WNBA, publicou uma mensagem na qual reafirmou o apoio à inclusão e aos direitos da comunidade LGBTQ+. A organização também repudiou a utilização da imagem das atletas como “instrumento numa disputa política”.
Freedom e White basearam a argumentação nas regras de elegibilidade da WNBA. Eles medem 2,08m e 2,03m, bem acima da média de 1,85m das atletas da WNBA.
O regulamento da liga estabelece que “apenas jogadoras do sexo feminino são elegíveis para competir na WNBA”. No entanto, as normas não apresentam uma definição específica de mulher nem determinam que a autoidentificação, por si só, seja suficiente para estabelecer a elegibilidade de uma atleta.
A liga ainda não se pronunciou.
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