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“Coronavírus atrasa discussão para manter F-1 em SP”

De acordo com o governador João Doria, estado possui um "dos melhores autódromos do mundo"

Henrique Gimenes - 09/03/2020 17h36

Governador de São Paulo, João Doria Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que a epidemia de coronavírus tem impactado as negociações com a Liberty, grupo que controla a F-1, para possível renovação de contrato do GP Brasil no autódromo de Interlagos por mais dez anos.

O atual acordo vencerá no final de 2020, e Doria tem buscado a renovação pessoalmente desde maio do ano passado, quando passou a enfrentar a concorrência do Rio de Janeiro pelo evento.

– Temos feitos reuniões presenciais e por teleconferência com a Liberty. Houve uma situação, a do coronavírus. Antes não havia essa pandemia. Mas a nossa decisão é manter a Fórmula 1 em São Paulo – afirmou Doria nesta segunda (9), no Palácio dos Bandeirantes.

E continunu.

– Não tenho nada contra o Rio de Janeiro, mas não faz sentido um investimento de R$ 1 bilhão. São Paulo tem um dos melhores autódromos do mundo, referenciado pelos pilotos inclusive, e o circuito aqui funciona muito bem – completou.

O surto tem cancelado eventos esportivos pelo mundo e já afeta o calendário da F-1. A corrida da China, prevista para o dia 19 de abril em Xangai, está suspensa e sem nenhuma nova data prevista. No último fim de semana, a organização do GP do Bahrein anunciou que a prova do dia 22 de março não terá presença de público.

A temporada 2020 começa neste fim de semana, na Austrália.

Durante o GP Brasil de 2019, em novembro, o governador havia afirmado que as negociações estavam evoluindo e, se tudo corresse bem, poderia já em dezembro anunciar novidades.

Para renovação, a FOM (Formula One Management, empresa do conglomerado Liberty e é quem controla a F-1), sob a gestão de Chasey Care, exige receber a taxa de promotor. O valor não é fixo e varia em cada país. A taxa de Baku, no Azerbaijão, referenciada com uma das mais altas, é de US$ 75 milhões (R$ 355 milhões).

Desde 1990 na cidade de São Paulo, o GP Brasil, assim como em Mônaco, é isento dessa cobrança, de acordo com o contrato assinado em 2014, na gestão de Bernie Ecclestone. O britânico, porém, vendeu a FOM para o grupo Liberty Media pelo equivalente a R$ 26 bilhões em 2016.

“Não há o pagamento, mas haverá. A negociação é uma conjunta entre a prefeitura e o governo do estado, também vamos buscar o apoio do setor privado”, disse o governador, durante a corrida em novembro do ano passado.

As negociações entre São Paulo, que além de Doria conta com a participação do prefeito Burno Covas (PSDB), se arrastam desde 2018. No princípio, a tática era tentar convencer a Liberty pela ótica da tradição de Interlagos e dos investimentos públicos para melhorias no circuito.

Em maio de 2019, o Rio de Janeiro se colocou como concorrente para receber a F-1, inclusive com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que assinou acordo de cooperação para levar o GP para capital carioca e disse, em entrevista, que tinha 99% de certeza da futura mudança de endereço.

No mesmo mês, o empresário JR Pereira, representante do consórcio Motorsport, afirmou que já negociava contrato com a Liberty para a capital carioca passar a receber a prova a partir de 2021.

A Motorsport, única interessada, venceu processo de licitação na prefeitura do Rio para construir um autódromo na região de Deodoro. Pereira prometeu, em maio de 2019, levantar a obra em 17 meses e com investimentos privados de R$ 697 milhões.

A construção na floresta de Deodoro está suspensa, desde setembro de 2019, até que a empresa entregue à Justiça o estudo de impacto ambiental. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que analisa a documentação, deverá realizar audiências públicas a partir deste mês de março.

*Folhapress

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