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Caso Tifanny: Técnico sugere liga alternativa

Primeira jogadora de vôlei transexual do Brasil está causando polêmica por jogar na liga feminina

Gabriela Doria - 19/01/2018 17h11 | atualizado em 19/01/2018 20h48

A liberação da atleta transexual Tifanny Abreu, de 33 anos, para atuar na liga feminina de vôlei ainda divide opiniões dentro do esporte. Desta vez quem se manifestou foi o treinador do Brasília, Sérgio Negrão. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Negrão declarou que sugerir à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) a criação de uma liga alternativa para atletas transexuais.

– Para jogar entre os homens, a Tifanny é muito fraca. Para jogar entre as mulheres, é muito forte, e vi isso de perto. Então tenho sim essa ideia de que possam fazer uma liga alternativa aberta a todos os transexuais, inclusive com uma rede a 2,35 m (média entre as alturas das redes masculina, 2,43m, e feminina, 2,24m) – defendeu o técnico.

Tifanny Abreu se tornou a maior pontuadora da Superliga feminina Foto: Vôlei Bauru/Neide Carlos

Ele também declarou que a sugestão não é fruto de preconceito e sim uma forma de estabelecer regras mais claras e justas para a competição.

– Acredito que a Tifanny não seja o único caso que exista no Brasil. Mas como a diretriz do COI é muito ampla, abre muita brecha. Ninguém sabe o que fazer e o que isso pode se tornar. Só quero deixar bem claro que isso não tem a ver com preconceito – disse Negrão, que já foi membro do departamento técnico da Superliga.

Engrossando o coro que pede a revisão das normas técnicas para participar da Superliga feminina, o médico Bruno Borges também disse à Folha que vai sugerir à Federação Internacional de Vôlei (FIVB) o aumento na rigidez do controle das atletas, incluindo a diminuição do nível de testosterona presente no sangue das jogadoras.

– Considero o valor do COI muito elevado, e dois exames em um ano é pouco. Vou pedir algumas mudanças e isso será discutido. Mas, ainda que aprovado, não será para agora, pois precisa também passar por aval do conselho de administração da FIVB – afirmou Bruno, que faz parte da junta médica brasileira que estará na reunião da FIVB, no dia 24 deste mês, para discutir as diretrizes do esporte.

A regra atual do Comitê Olímpico Internacional é de que para um atleta ser considerado transexual e atuar na liga feminina, não é necessário que ele passe pela cirurgia de mudança de sexo. Contudo, é preciso que o nível de testosterona não ultrapasse 10 nanomol por litro de sangue, exame que deve ser realizado apenas duas vezes ao ano.

No próximo dia 24, a Federação Internacional de Vôlei vai se reunir na Suíça para debater mudanças e atualizações nas diretrizes do esporte. Uma das pautas será a inclusão de atletas transexuais nas ligas femininas.

Tifanny Abreu é a primeira jogadora de vôlei transexual a atuar na liga feminina brasileira. Ela defende o Vôlei Bauru e atualmente disputa a Superliga, competição na qual já se tornou a maior pontuadora em apenas cinco jogos, desbancando a média de pontos da então líder do ranking, Tandara Caixeta.

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