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Wagner Moura é eleito uma das 100 personalidades da Time

"Tudo o que eu faço é verdadeiro", disse o ator à revista

Thamirys Andrade - 15/04/2026 13h34 | atualizado em 15/04/2026 13h35

Wagner Moura na revista Time Foto: Divulgação

Indicado ao Oscar de Melhor Ator por O Agente Secreto, Wagner Moura foi um dos escolhidos pela revista Time para integrar a lista de 100 personalidades mais influentes da atualidade. Assinado pela jornalista e crítica de cinema Stephanie Zacharek, o texto da publicação cita o engajamento político do ator e afirma que ele possui capacidade de dar nuances aos seus personagens nos vários gêneros em que já trabalhou.

– Tudo o que eu faço é verdadeiro. Arte é verdade. O que me assusta é que a verdade como conhecemos acabou. Fatos não importam mais. Quando falamos de polarização, falamos sobre a criação de universos e narrativas paralelas. Não vivemos mais no mesmo espaço mental dos outros – opinou Moura em entrevista à publicação, dizendo que discussões políticas atuais não são mais pautadas em ideologias, mas em “versões da verdade”.

Além do brasileiro, a Time escolheu outros artistas nos últimos anos para a lista. O nome dele aparece ao lado dos da vencedora do Oscar Zoe Saldaña, da comediante Nikki Glazer, das atrizes Keke Palmer, Dakota Johnson e Claire Danes, e da escritora Freida McFadden.

Na entrevista, Wagner Moura defendeu o uso da arte como arma contra o “totalitarismo”, e disse que artistas, jornalistas e acadêmicos costumam ser os primeiros alvos desses regimes.

– Quando governos totalitários atacam acadêmicos, artistas e jornalistas. Isso não é por acaso, certo? – indagou.

Cidadão norte-americano desde 2023, o ator também refletiu sobre a administração atual dos Estados Unidos, cujas ações internas e externas têm causado protestos por todo o país.

– Governos vêm e vão, mas, para mim, [os EUA] é um país que recebe pessoas do mundo todo, que foi construído com base na imigração. Claro que o país está polarizado. Mas há uma diferença entre o governo no comando neste momento e a alma da nação. Donald Trump representa muito do que os EUA são. Mas os EUA não são só isso, nem de longe. Este é o país de Martin Luther King, de Rosa Parks, de tantos lutadores pela liberdade que exportaram suas ideias para o resto do mundo.

Na entrevista, o ator destacou como sua formação como jornalista – profissão que ele admite não ter a objetividade necessária para exercer – influenciou sua trajetória como ator.

– [O jornalismo] me moldou muito como artista, como pessoa, como cidadão. E existe uma noção de criar empatia: quanto mais você sabe sobre as coisas, mais empatia você tem. É só isso. E isso é o que a atuação deveria ser – ponderou.

A conexão de Moura com suas raízes brasileiras, seja mantendo seu sotaque ou exigindo que seus personagens em Hollywood sejam escritos como nascidos no Brasil, também foi ressaltada pelo texto de Zacharek, que destacou seu papel recente em Star Wars: Maul – Lorde das Sombras, nova animação da franquia criada por George Lucas.

– É inegavelmente interessante e louco ter um brasileiro como parte do universo Star Wars, porque, para mim, essa é uma galáxia muito, muito distante – disse o ator.

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