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Wagner Moura critica identitarismo: “Fascismo de esquerda”

Ator afirmou que parte da esquerda possui "desconexão gigantesca com o povo"

Thamirys Andrade - 14/08/2026 18h05 | atualizado em 15/08/2026 17h30

Wagner Moura Foto: Frame de vídeo / YouTube

O ator Wagner Moura descreveu como “fascismo de esquerda” a pauta do identitarismo, por acreditar que ela busca limitar as reivindicações sociais a determinados grupos. A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Conversa com Bial, na Rede Globo.

O bate-papo, que foi ao ar no último dia 4 de agosto, ocorreu em Atenas, na Grécia, durante passagem do ator pela Europa para promover sua peça Julgamento – Depois do Inimigo do Povo. Na ocasião, Moura descreveu a “polarização política” como a “maior ameaça à democracia” e apontou que atualmente pessoas de diferentes espectros políticos não se atêm aos fatos.

– A tolerância é um pilar da democracia. O que, para mim, é assustador é que a gente não está vendo mais a realidade da mesma forma. Eu lembro de uma época em que a esquerda, a direita, a gente brigava, discutia, mas a gente estava vendo o mesmo fato. Hoje os fatos não importam mais. Isso, para mim, é algo que eu não sei o que fazer se deixam de existir fatos e passam a existir versões da realidade – assinalou.

O ator também avaliou que atualmente parte da esquerda possui uma “desconexão gigantesca” com o restante do povo, enquanto a direita seria simplista ao apresentar soluções rasas para questões complexas. O artista acrescentou que está “cansado de ser odiado” por expressar o que pensa.

– É clichê, mas é verdade, que no final o que importa é o amor, é o afeto, é o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas da gente e que, se a gente tiver empatia suficiente para os outros, inclusive os que pensam diferente da gente. E eu vou ficando cansado. Eu já tô cansado de ser odiado por uma galera. Eu vou morrer dizendo as coisas que eu acho. Podem estar erradas, inclusive. Mas minha natureza é de achar uma coisa e dizer o que eu acho. Mas é cansativo – assinalou.

Wagner Moura ainda expressou que gostaria de poder ter uma “interação com a direita”. O ator passou a ser malquisto por grande parte dos conservadores ao manifestar críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores.

– Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles. A discussão sobre o tamanho do Estado é válida e necessária. A esquerda sempre diz: “A gente quer seguridade social, a gente quer cultura, a gente quer educação gratuita, a gente quer tudo isso”. A direita faz uma pergunta que eu acho justa, que é: “Quem vai pagar isso que você quer? São os contribuintes? A gente vai aumentar os impostos?” Essa discussão eu acho muito boa – adicionou.

Por fim, Moura lamentou a tentativa de limitar discursos com base no identitarismo:

– O papo dos caras é: “Ah, ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, ele não pode falar do Brasil”. Ou: “Ele prosperou na carreira, e então, como é que pode? Não é gay e defende gay, não é preto e defende preto” – declarou.

– Mas tem uma esquerda identitária que está começando a entrar nesse mesmo discurso – observou Pedro Bial.

– Fascismo de esquerda – cravou o ator.

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