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TV Globo demite diretor acusado de racismo em novela

No entanto, Vinicius Coimbra teria sido desligado por "assédio moral"

Gabriela Doria - 11/03/2022 20h40 | atualizado em 11/03/2022 21h03

Vinicius Coimbra foi diretor artístico da novela Nos Tempos do Imperador Foto: Divulgação/TV Globo/Paulo Belote

A Rede Globo demitiu nesta semana o diretor artístico da novela Nos Tempos do Imperador, Vinicius Coimbra, dois anos após a primeira denúncia de prática de racismo contra parte do elenco da novela – que foi ao ar entre agosto de 2021 e fevereiro de 2022. A informação é do site Notícias da TV.

Segundo atrizes negras do folhetim, Coimbra obrigou o núcleo negro da novela a trabalhar durante o pico de Covid-19, além de separar os atores entre “elenco branco” e “elenco negro”. Houve também denúncias de falas preconceituosas e até separação de camarins para atores negros.

Apesar de não comentar casos desta natureza dentro da empresa, a TV Globo emitiu nota para o site Notícias da TV em que afirma não “tolerar” atos discriminatórios.

– Preconceito racial é uma prática não tolerada pela Globo. A fim de manter seu ambiente corporativo livre de discriminação, a empresa conta com um sistema de compliance atuante, com treinamentos de conscientização frequentes de seus colaboradores e um código de ética que proíbe a discriminação e pune severamente as violações apuradas – diz a nota.

Em outro trecho, a emissora admite que poderia ter adotado medias para evitar as denúncias de racismo dentro do elenco. A manifestação não cita, no entanto, o fato de que o diretor de núcleo Ricardo Waddington já havia sido pessoalmente informado por três atrizes do elenco, ainda em 2020, sobre a conduta de Coimbra. Na ocasião, Waddington prometeu às mulheres que tomaria providências, mas nada aconteceu.

– Em relação à novela Nos Tempos do Imperador, a empresa acredita que poderia ter adotado precauções extras para abordar a temática racial, nas diversas dimensões que a produção exigia. Nesse sentido, foram identificadas oportunidades de aperfeiçoar nossos processos internos para tratar adequadamente esta e outras temáticas sensíveis, garantindo que sua abordagem contribua para o avanço no caminho da diversidade, preservando a sensibilidade do público e de nossos colaboradores – completa.

Em sua defesa, Coimbra afirmou que não foi demitido por preconceito racial: “Fui comunicado do meu desligamento da Globo por assédio moral”.

– Nas últimas semanas, muito foi dito a meu respeito. Por isso, agradeço àqueles que prezaram por uma apuração responsável dos fatos, sem atribuir a mim atitudes que não condizem com a minha índole ou que não são da minha competência – diz o diretor.

– Como homem branco, porém, reconheço minha responsabilidade por atitudes que reproduzem privilégios. Eu sinceramente não gostaria que isso tivesse acontecido e estou empenhado para que não se repita. Desculpei-me à época e me desculpo novamente. Reafirmo meu profundo respeito pelo elenco da novela. Quero poder contribuir para juntos repararmos esta situação e construirmos um futuro melhor – complementa.

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