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Piauí detalha assédio de Melhem a Calabresa e silêncio da Globo

43 testemunhas foram ouvidas, entre elas outras 12 vítimas

Thamirys Andrade - 04/12/2020 13h09 | atualizado em 04/12/2020 15h35

colagem dani calaberesa e marcius melhem
– Vi minha amiga sem forças para viver – relatou um dos colegas de trabalho de Dani Foto: Reprodução

Relatos detalhados de 43 pessoas sobre episódios de assédio sexual envolvendo Marcius Melhem foram divulgados em reportagem da revista Piauí. As denúncias trazem episódios de perseguição contra a atriz Dani Calabresa e outras funcionárias, e reforçam o silêncio e a falta de transparência da Rede Globo ao lidar com a situação.

A reportagem descreve uma noite em 2017, quando o elenco do Zorra se reuniu em um bar de karaokê para comemorar a gravação do centésimo episódio do programa reformulado. Dani Calabresa dançava e cantava junto do grupo quando Melhem passou a forçar aproximações físicas insistentemente e, em um movimento rápido, puxou sua cabeça para forçar um beijo. A atriz deixou o palco, mas Melhem a agarrou na saída do banheiro. Imobilizada contra a parede, Dani virou o pescoço para evitar um beijo forçado, mas ele conseguiu lamber o seu rosto. Assustada, pediu para que ele a deixasse ir, mas Melhem colocou o órgão genital para fora da calça. Dani conseguiu se desvencilhar e fugir, encontrando os colegas de elenco Luis Miranda e George Sauma durante uma crise de choro.

As testemunhas relataram que, após três dias após o ocorrido, Melhem apareceu no estúdio de gravação e culpou Dani. “Quem mandou você estar muito gostosa?”, questionou. Maria Clara Gueiros, que contracenava com Dani naquele dia, pediu para Marcius Melhem deixar a amiga em paz. Calabresa também reagiu:

– Não quero seu abraço nem suas desculpas, você já me agarrou, lambeu minha cara e encostou o p** em mim – exclamou ela, se afastando para evitar novos contatos físicos.

Outras situações de assédio também aconteceram, uma delas durante a gravação de uma paródia do seriado Baywatch. Na ocasião, Melhem teria passado no camarim para conferir o figurino de Dani. Quase sempre que os dois se cruzavam, ele a chamava de “gostosa”, apertava sua cintura, afagava seu cabelo e disparava frases como “Sonhei com você outra vez, hein!”.

Os relatos também apontam que por diversas vezes o diretor teria atrapalhado o crescimento da atriz dentro da Globo. Ele chegou a vetar a sua participação em um programa de Miguel Falabella e fez diversos boicotes profissionais contra propostas da humorista. Como resultado, Dani começou a passar mal na ida para a emissora.

– Vi minha amiga sem forças para viver – desabafou um apresentador de TV que está entre os amigos mais próximos da atriz.

O SILÊNCIO DA GLOBO
Exausta, Dani Calabresa decidiu deixar o elenco do Zorra e só teve coragem de denunciar o assédio após se mudar para os Estados Unidos. Ela levou o caso para a chefe de Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA), Monica Albuquerque. Entretanto, nenhuma advertência foi feita ao acusado, apenas uma recomendação de terapia.

Em seguida, a situação chegou até o diretor da área de entretenimento, esporte e jornalismo, Carlos Henrique Schorder, que ordenou uma investigação sobre os fatos. Durante o andamento da apuração, três outras artistas se manifestaram sobre episódios em que Melhem esfregava o órgão genital ereto nelas.

Melhem já estava afastado da emissora desde março por motivos pessoais, mas a Globo demitiu o artista em agosto depois dos relatos das vítimas. Entretanto, a nota de divulgação do afastamento não citou as denúncias de assédio.

– Alguns começaram a interpretar a nota como um sinal de tolerância da Globo com a prática do assédio – relatou um ator que acompanhou o crescente incômodo dentro da emissora devido as semanas de silêncio que se seguiram.

Uma carta foi assinada por trinta atores, roteiristas e diretores cobrando um posicionamento claro da Globo sobre o assunto. Entre os artistas envolvidos estão Eduardo Sterblitch, João Vicente de Castro e o ex-marido de Dani Calabresa, Marcelo Adnet.

– Nossa intenção é comunicar, com a urgência que o assunto merece, nossa profunda insatisfação e indignação com a solução dada ao caso que envolve diversas denúncias de assédio sexual e moral contra Marcius Melhem (…) O comportamento de Marcius Melhem consistia em abusar da sua posição de chefe para constranger suas funcionárias sexualmente e para expor seus funcionários a situações humilhantes e degradantes. (…) Não é admissível, tendo em vista a qualidade dos envolvidos e a magnitude das denúncias, que este caso seja resolvido silenciosa e nebulosamente – constava no primeiro esboço da carta, que depois foi substituído por uma versão mais branda.

O ator Marcius Melhem se diz inocente das acusações. Quando convidado a dar sua versão dos fatos à revista Piauí, ele optou por não conceder entrevista, afirmou que pediria desculpas a quem se sentiu magoado, e garantiu que vai buscar “justiça”.

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