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Justiça manda Globo tirar do ar matéria sobre naja em Brasília

Emissora cometeu equívoco e é processada por uso indevido de imagem

Thamirys Andrade - 14/06/2021 11h08 | atualizado em 14/06/2021 12h07

Cobra Naja que picou estudante em Brasília faz ensaio fotográfico no zoológico, em imagem de arquivo — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília
Cobra que picou estudante faz ensaio fotográfico no zoológico de Brasília Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

A Justiça do Distrito Federal determinou que a Globo retire do ar uma reportagem do Fantástico sobre o caso do jovem Pedro Krambeck, estudante de veterinária acusado de tráfico de animais que foi picado por uma naja em Brasília.

O autor da ação, Gabriel Moraes Martins dos Santos, diz ter sido confundido pela produção do programa com um colega de mesmo nome investigado pelo crime. Santos, porém, também tem ligação com o ilícito, e a emissora recorre da decisão. As informações são do Notícias da TV.

O caso ocorreu em julho de 2020, quando Pedro Krambeck foi picado pela naja da espécie Kaouthi que ele mesmo criava. O rapaz foi hospitalizado e ficou em coma. O responsável por se livrar do animal foi seu colega de classe na faculdade, Gabriel Ribeiro de Moura, que soltou a cobra próximo a um shopping de Brasília no dia seguinte ao acidente.

Acontece que, ao referir-se a Moura, a equipe do Fantástico usou trechos de vídeo de Gabriel Moraes Martins dos Santos, que também estudava na classe dos acusados. O vídeo exibido pelo noticiário mostrava Santos saindo de uma delegacia, após prestar depoimento, e segurando cobras em sala de aula.

O processo, que venceu em primeira instância, acusa a Globo por uso indevido de imagem. A juíza Adriana Maria de Freitas Tapety, da 1ª Vara Cível do Gama, considera que a emissora tenha prejudicado a imagem de Gabriel Santos. A magistrada determinou que o programa se retrate e retire o conteúdo do ar, sob multa de R$ 1 mil por dia de desobediência. A Rede Globo seguiu as determinações, mas recorreu da decisão.

Apesar do equívoco, Gabriel Santos também está envolvido no crime de tráfico de animais e chegou a confessar o crime, assinando um acordo de não persecução penal em junho deste ano, segundo o Ministério Público.

A cobra que picou Pedro Krambeck é da espécie Kaouthi, encontrada somente na África e na Ásia. De acordo com informações da Polícia Civil, o jovem criava mais 23 serpentes em sua própria casa ilegalmente, com o conhecimento da mãe, Rose Meire dos Santos Lehmkuh, e do padrasto, Clóvis Eduardo Condi.

A família e Gabriel Moura foram denunciados por 23 crimes contra a fauna, constituição de milícia privada, exercício ilegal da profissão, fraude processual, dentre outros delitos. O processo está em fase de audiência com testemunhas.

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