Ranking global aponta queda de 45 universidades brasileiras
Principais instituições do Brasil na lista, como USP e UFRJ, caíram de posição na comparação com o ano anterior
Paulo Moura - 01/06/2026 08h27 | atualizado em 01/06/2026 11h40

O desempenho das universidades brasileiras no ranking global de 2026 do Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR) revelou um cenário de retração para o ensino superior do país. Das 52 instituições nacionais presentes na lista, 45 registraram queda de posição em comparação com a edição anterior, o equivalente a 87% do total.
Os dados, divulgados nesta segunda-feira (1°), mostram que apenas cinco universidades avançaram no ranking, enquanto duas permaneceram estáveis. Segundo o levantamento, a principal dificuldade enfrentada pelas instituições brasileiras está relacionada ao desempenho em pesquisa científica, indicador que apresentou queda em 44 das universidades avaliadas.
A Universidade de São Paulo (USP) continua sendo a instituição brasileira mais bem colocada na classificação internacional, ocupando a 119ª posição mundial. Apesar de manter a liderança nacional, a universidade recuou uma colocação em relação ao 118° lugar no ranking anterior, reflexo de resultados inferiores nos critérios de educação, corpo docente e pesquisa.
Na sequência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que passou da 331ª para a 346ª colocação global, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que caiu do 369° para o 379° lugar.
Entre as dez universidades brasileiras mais bem posicionadas estão ainda a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Para o presidente do CWUR, Nadim Mahassen, o desempenho brasileiro reflete desafios acumulados ao longo dos últimos anos.
– O declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos – afirmou.
Segundo Mahassen, a perda de competitividade das instituições impacta diretamente a produção científica, a inovação e o desenvolvimento de longo prazo do país.
No cenário internacional, a Universidade Harvard manteve a liderança global pelo 15° ano consecutivo. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade Stanford completam o pódio.
O CWUR não usa pesquisas de opinião ou informações das próprias universidades, mas adota um método com quatro critérios principais: educação (25%): desempenho acadêmico de ex-alunos; empregabilidade (25%): sucesso profissional de ex-alunos; corpo docente (10%): reconhecimento acadêmico dos professores; e pesquisa (40%): volume de produção científica, impacto das publicações e número de citações.
Para a edição de 2026, foram analisados mais de 81 milhões de dados referentes a 21.291 instituições de ensino superior em todo o mundo.
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