Leia também:
X Auxílio-desemprego: EUA têm 22 milhões de pedidos

Professores contam como se adaptam ao ensino à distância

Docentes têm ajuda da tecnologia, mas sentem falta do contato com alunos

Camille Dornelles - 16/04/2020 15h13 | atualizado em 16/04/2020 15h20

Escolas usam plataformas de ensino para ajudar no controle à distância Foto: Divulgação/Educação Adventista

A suspensão das aulas presenciais, fruto das adaptações por causa da pandemia do novo coronavírus, completa um mês em vários colégios brasileiros nesta quinta-feira (16). O distanciamento obrigou a mudança da sala de aula para o ambiente virtual para não prejudicar o ensino.

Mas será que as adaptações emergenciais têm agradado professores e alunos? O Pleno.News conversou com docentes para saber suas percepções sobre o momento atual e como superam dificuldades como avaliações e controle de presença.

Uma das escolas que aderiu ao modelo à distância no início da quarentena foi o Colégio Objetivo de Sorocaba, em São Paulo. As aulas foram suspensas no dia 16 de março. O professor Vinícius Ferreira conversou com o portal e afirmou que precisou se adaptar a novas estratégias.

– Os alunos usam uma plataforma que reúne atividades, comunicados, devolutivas, enquetes, chats com professores e colaboradores, dentre outras funções. Enquanto isso, nós, professores e colaboradores, procurávamos meios de aprimorar o método de ensino. Na segunda semana fomos introduzindo horários de plantões de dúvidas para algumas disciplinas. Da terceira semana em diante iniciamos nosso processo de grade de aulas presenciais online – aponta.

Estudantes de ensino médio se adaptam melhor, dizem professores Foto: Reprodução

O professor de matemática Guilherme Vasiulis atua em um colégio cristão da Região Serrana do Rio de Janeiro e afirmou que a ajuda mútua tem feito a diferença neste período.

– Fazemos uma reunião por semana entre os professores e coordenadores para conversar sobre as dificuldades, receber orientações e dividir ideias. Começamos dividindo as disciplinas com aulas e atividades um dia da semana através da plataforma online que já usávamos. Os alunos também já a usavam no modelo presencial, aí montamos os roteiros de aulas para os estudantes acompanharem – detalhou.

CONTATO PRESENCIAL
Ferreira declarou que sua disciplina tem sofrido com o distanciamento, porque trabalha o desenvolvimento pessoal e social dos estudantes.

– Confesso ter sentido grandíssimos impactos no que se refere ao convívio e interação com os alunos. Por trás das telas, com as câmeras desligadas, não se sabe do seu aluno, e não houve até então a possibilidade da obrigação das câmeras ligadas. O modo como os alunos se relacionam consigo mesmos dentro do papel de estudantes modifica-se, a forma como os alunos se comportam em relação as propostas se altera, a motivação sofre impacto, e isso tudo afeta também o professor que busca desesperadamente cozinhar criatividade, conhecimento e sensibilidade às necessidades variadas de cada turma – declarou.

Vasiulis também afirma que prefere o modelo tradicional pelo contato pessoal com os estudantes.

– Não estou gostando de dar aulas assim. O calor humano da sala de aula faz muita falta! Dar aula para uma câmera não é a mesma coisa… As videoconferências também não têm a energia que a sala tem… Fora a disciplina necessária para não procrastinar, tanto para os alunos quanto para a gente – declarou.

Escolas públicas e particulares paralisaram atividades Foto: EFE/Joédson Alves

A professora Júnia Santos, docente de um colégio particular no interior de São Paulo, defende o home office, mas também afirma sentir falta do contato com os estudantes.

– Como professores nos sentimos desafiados, mas amparados pela escola e pela aceitação dos pais e alunos. Por um lado achamos bom, mas como uma ferramenta a mais de trabalho, porque o contato humano, a troca de experiências e a alegria da convivência fazem falta – explicou.

AVALIAÇÃO E PRESENÇA
Santos também explicou ao portal que, após quatro semanas em modelo remoto, um dos grandes problemas ainda é a definição de como será a avaliação final dos alunos.

– A pandemia chegou na semana de provas, então, teremos que usar outros recursos para a avaliação, talvez. A presença também está sendo computada pela adesão dos alunos às atividades dadas pela plataforma que utilizamos chamada E-Class – explicou.

O professor Vasiulis recorre a videoaulas, podcasts e videoconferências com os alunos para aproximar o modelo ao presencial, além de disponibilizar os materiais de apresentação. O controle de presença é baseado no acesso à plataforma e o WhatsApp se tornou importante aliado para comunicação com os alunos.

Professores se adaptam ao modelo à distância Foto: Reprodução/Descomplica

POSSIBILIDADE DE REFLEXÃO
Frente a todas essas dificuldades, os docentes ainda conseguem ver pontos positivos no distanciamento forçado. O professor Ferreira declarou ao Pleno.News que, apesar de sentir dificuldades no distanciamento, percebeu uma boa oportunidade para discussões e reflexões, levando a própria pandemia da Covid-19 ao centro das discussões.

– Em minhas aulas tenho conseguido alcançar por meio de projetos o resgate do espaço da auto-reflexão e autoconhecimento, o que acaba sendo favorecido pelo momento que vivemos. A escola nunca mais será a mesma e caminhamos finalmente para uma melhor compreensão da educação e dos alunos aos quais essa se destina – defendeu.

Leia também1 Justiça suspende retorno às atividades em escolas de MG
2 Mato Grosso prevê multa a quem não usar máscara
3 MEC autoriza antecipação de formaturas de áreas da saúde

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.