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Enem 2020 terá, pela primeira vez, versão digital e impressa

A mudança no exame, que será aplicado no início de 2021, é o início de uma transição planejada pelo MEC

Pierre Borges - 21/12/2020 19h41 | atualizado em 22/12/2020 11h19

Redação ainda será escrita em papel Foto: Reprodução

Uma série de mudanças estão sendo adotadas para a edição de 2020 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além das alterações motivadas pela pandemia do coronavírus, pela primeira vez na história a prova terá uma aplicação impressa e outra digital.

Muitas pessoas têm acreditado, erroneamente, que essa é mais uma das mudanças decorridas da pandemia. Na verdade, é o início da transição planejada pelo Ministério da Educação (MEC) para que, até 2026, o Enem seja um exame totalmente digital.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dos 5,8 milhões de inscritos no exame, 96 mil optaram pela versão digital da prova. Uma delas é a tecnóloga de vendas Évelyn Simas. A jovem de 20 anos acredita que a prova online será mais acessível e optou pelo formato por estar familiarizada com a tecnologia.

Évelyn Simas fará a versão digital do Enem Foto: Arquivo Pessoal

– Estou trabalhando muito, sem tempo, e ando muito cansada. A parte online me mantém mais focada, me identifico mais [com ela] por ser digital do que papel – afirmou.

Évelyn já prestou o Enem outras duas vezes e ficou feliz com a alternativa.

-[Os computadores não terão acesso à internet,] então não tem desvantagem [pra ninguém] em minha opinião. Eu sofro muito mais pressão em provas presenciais do que em digitais, mas aí vai de cada um – disse.

Eu sofro muito mais pressão em provas presenciais do que em digitais

Devido ao adiamento decorrente da pandemia, a versão impressa do exame será aplicada nos dias 17 e 24 de janeiro. Já a versão digital da prova será nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

O adiamento foi polêmico e dividiu opiniões, principalmente entre os estudantes recém-formados do Ensino Médio, como é o caso da Estella Andrade. A jovem de 20 anos conta que se sentiu prejudicada pela medida.

Estella Andrade optou pela prova impressa Foto: Arquivo Pessoal

– De certa forma, pra alguns foi algo bom, porque teriam mais tempo pra se preparar… Mas eu estudei durante o ano [todo] e, justamente em novembro, comecei a trabalhar até 23h10. Ou seja, não tenho tido tempo pra reaprender as matérias [em] que mais tenho dificuldade, e isso poderá me atrapalhar um pouco, caso [eu] não consiga rever tudo – disse Estella, que trabalha como caixa num supermercado.

Estella está entre os milhões de participantes que optaram pela prova escrita e afirma que não se sentiria confortável em fazer a prova em formato digital.

– A última vez [em] que tive um computador em casa foi em 2013, [quando] eu tinha 12 anos. Fora isso, tive poucos acessos em computadores de amigas ou na lan house, enquanto cursava o 1° ano [do Ensino Médio]. Após isso, eu sempre fazia os trabalhos [em] que pediam slides etc no celular – disse.

A última vez que tive um computador em casa foi em 2013

Além de não possuir computadores, Estella também não possui banda larga em casa e acessa a internet pelo celular via 3G, outro fator limitante quanto à familiaridade com a tecnologia. A jovem, que está mais familiarizada com o papel, acredita que a prova impressa colabora para um raciocínio rápido e para a concentração na hora de responder às questões.

Embora tenha optado pela prova online, o suporte técnico Igor Santos, de 24 anos, concorda que a exclusão da prova impressa pode colocar alguns candidatos em desvantagem.

jovem negro sorrindo com árvores ao fundo
Igor Santos optou pela prova digital, mas acha que o formato pode atrapalhar quem não está acostumado Foto: Arquivo Pessoal

– Eu acho que influencia sim porque, independente de conhecimentos no que diz respeito aos assuntos da prova (redação etc), algumas pessoas talvez não tenham tanta afinidade com computador, e talvez isso atrapalhe um pouco – afirmou.

Igor também citou a desigualdade quanto ao ensino e ao acesso a aparelhos eletrônicos.

– Da mesma forma que eu não tive acesso à educação de maior qualidade como outras pessoas, com [acesso a] colégios particulares, cursinhos e professores particulares, outros também não têm acesso a uma internet de qualidade, a computador pessoal – ponderou.

Os candidatos que optaram pela prova digital receberão, assim como os que optaram pela versão impressa, um dos quatro modelos de prova aplicados. Os modelos possuem as mesmas questões, porém em ordens diferentes. Já a redação deverá ser feita por escrito, mesmo na versão digital do exame. Por isso, todos os candidatos deverão levar sua caneta.

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