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210 mil universitários sem aula: Como fica o ensino?

Suspensão das atividades pelas universidades públicas afeta ensino superior

Camille Dornelles - 23/06/2020 11h29

UFRJ é atualmente a instituição com mais estudantes Foto: Reprodução

Mais de 210 mil estudantes estão sem aulas devido à suspensão das atividades das universidades públicas. Apenas seis das 69 instituições federais adotaram o ensino à distância durante a pandemia do novo coronavírus. Nas outras, os alunos estão totalmente sem aulas.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, declarou na última semana que o retorno presencial “não será possível no ano de 2020 se não houver uma vacina ou um medicamento eficaz contra a Covid-19”. A universidade estuda um retorno gradual das atividades, mas não traçou ainda quais são os passos a serem dados e nem se haverá a migração para o ensino à distância (EAD).

Quais são os impactos desta situação para a formação acadêmica, relação dos estudantes com a universidade e com os novos egressos? Para entender mais a fundo a situação, o Pleno.News conversou com estudantes de universidades públicas paralisadas e reuniu declarações de analistas sobre o futuro próximo do ensino.

INCERTEZA PARA MATRICULADOS
O estudante de Estatística da UFRJ, Daniel Barreto, está há quatro meses sem poder ter aulas. As atividades do curso foram totalmente suspensas com o início das medidas da quarentena na capital carioca, em março.

Ele está na metade do curso e esperava se formar em quatro anos, mas agora já vê a possibilidade de ter a formatura atrasada.

– Não temos aula. Eu até imaginava que pegaria uma greve ou outra durante o período da graduação, mas nada que durasse quatro meses. Ou melhor, um ano inteiro! Não sei como eles vão fazer, se vamos atrasar, não ter mais férias, diminuir o conteúdo – declarou ao portal.

O universitário atua em um projeto de iniciação científica que pode ser feito de casa. Também decidiu procurar conteúdo para estudar sozinho enquanto as aulas não retornam.

– Eu fico trabalhando na minha iniciação científica, estudando também outras coisas por conta própria. É muito ruim ficar sem nada para fazer! – apontou.

ATRASO PARA NOVOS EGRESSOS
Outro problema da suspensão das atividades é empurrar a ingressão de novas turmas nos cursos. A maioria das faculdades públicas utiliza o Sisu como porta de entrada e algumas já selecionaram os estudantes do próximo semestre, de 2020.2. Mesmo assim, não se sabe quando suas aulas serão iniciadas.

O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil, afirmou que a retomada pode ser só no ano que vem.

– A gente não terminou nem de receber os alunos do primeiro semestre de 2020. Já temos os alunos do segundo semestre de 2020 selecionados, que, provavelmente, só entrarão na universidade mais adiante. Impossível receber dois semestres ao mesmo tempo. Então, o Enem vai ter efeito para o ingresso no primeiro semestre de 2021 e a gente não sabe quando será – afirmou.

AÇÃO POPULAR
Essa situação pode agravar também a situação judicial das universidades. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um estudante de Direito chamado Tomás Acioli moveu uma ação popular para obrigar a instituição a oferecer aulas à distância.

Ensino à distância é desafio para universidades públicas Foto: Reprodução/Descomplica

A AÇÃO DAS UNIVERSIDADES
As universidades públicas que não aderiram ao EAD estudam maneiras para a retomada das atividades e algumas estão com processos mais adiantados do que outras. A Unicamp, por exemplo, anunciou que manterá aulas remotas no segundo semestre, que recomeça em setembro.

A Universidade de São Paulo (USP) migrou cerca de 90% das aulas teóricas para o ambiente EAD e também disponibilizou 2 mil kits de internet para estudantes que não tenham conexão em casa.

Já as instituições UnB, IFB, UFG e UFPE enviaram questionários para os alunos para saber se todos têm acesso à internet para poder ter aulas online.

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