Quem foi que elegeu este presidente?

Virgínia Martin - 29/10/2018 16h51

Jair Bolsonaro: vencedor Foto: EFE/Antonio Lacerda

Faz tempo que a produção de conteúdo do Jornalismo vem sendo reconfigurada. O WhatsApp, por exemplo, só vem derrubando os tradicionais meios de informação. O aplicativo surgiu em 2009 e se tornou uma máquina de troca de mensagens entre as pessoas. E diante das Eleições 2018 mostrou-se ainda mais forte. A potência do WhatsApp é tanta que, mesmo com um orçamento baixo, é possível fazer um projeto, construir uma marca e conduzir uma campanha. Por tantas vezes, o WhatsApp pautou os assuntos do processo eleitoral. Jair Bolsonaro é prova dessa constatação e de outras mais, advindas da força das redes sociais.

Todo mundo viu que seu “estúdio” improvisado era simples. Não havia grande produção nem qualidade de vídeo. Mesmo assim, o capitão foi a maior prova de que é possível vencer sem muitos aparatos caros e tecnologicamente sofisticados. Desbancou o poder da TV aberta, especialmente da Globo, que hoje também recorre à dinâmica do Google Play para buscar uma fatia do monopólio da comunicação, não mais monopolizável na era atual.

Nosso atual presidente da República conseguiu fazer lives para aproximadamente 250 mil pessoas. E alcançou uma audiência maior que muitos canais de TV. Tudo filmado por um celular 4G (olha a propaganda espontânea de celulares e de Internet). Sem grande verba, foi vencedor nas eleições. Já a ex-presidente Dilma gastou milhões e perdeu a eleição para o Senado por Minas Gerais.

A campanha #elesim enfrentou manobras de todo os lados, incluindo a facada de um desconhecido. E só para lembrar das reivindicações do caso Marielle Franco, a cobrança pode ser: “Quem tentou matar Bolsonaro?”, já que os petistas exigem respostas e justiça para a vereadora do PSOL. Mas voltemos à potencialidade da mídia digital e seus tentáculos ultrapoderosos. Despertem, produtores de conteúdo, a realidade é outra. Nossos olhos podem até estar um do lado do outro, mas o mundo é agora vertical. Imagens verticalizadas são o novo panorama do futuro, encaixado em mensagens via Instagram e Facebook, para começar.

É fato que a vitória de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos da América, em 2012 também foi resultado de uma estratégia de comunicação que uniu tecnologia e informações sobre os eleitores, com propagandas direcionadas. Algo sem precedentes na história daquele país. Nada comparado à máquina desprovida de poder financeiro do candidato do PSL. Mas o efeito foi positivo para os dois.

Bolsonaro vai subir a rampa presidencial com a faixa no peito. E todos nós precisaremos aceitar ainda mais o fato de que somos todos produtores de conteúdo, que a informação não pode ser empacotada em um quadrado, que a transmissão é global e democrática. E mesmo que ocorram efeitos colaterais, como as fake news, a sociedade ainda estará assistindo casos surpreendentes, feitos de poucos recursos, mas com novas ferramentas digitais. Feitos de gente que entra para a história destronando poderes e grupos.

Virgínia Martin é editora-chefe do Pleno.News. Formada em Jornalismo, com pós-graduação em Propaganda e Marketing, em Comunicação Empresarial e em Pedagogia, tem mestrado em Multimeios.

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