O melhor e o mais escondido no Desafio dos 10 anos

Virgínia Martin - 18/01/2019 17h34

O #10YearChallenge foi lançado. Virou brincadeira nas redes sociais. O desafio é postar uma foto sua de 2009 e depois de 2019, revelando a diferença de 10 anos nas imagens. Postagem daqui, postagem dali e surgem algumas avaliações sobre o que estaria por detrás do jogo proposto pelo Facebook (que é também proprietário do Instagram). Muitos internautas aderiram. Já outros mais cautelosos deram atenção à especulação de que a proposta pode ser uma estratégia para conseguir treinar um sistema de reconhecimento facial. Dizem os nerds em tecnologia digital (a Wired, por exemplo) que esta série de fotos nos posts gera um fluxo de imagens que facilitam que os algoritmos de reconhecimento facial da plataforma sejam treinados.

A inteligência artificial já é bem avançada na China, onde a segurança pública possui um serviço de reconhecimento facial. O sistema é capaz de reconhecer o rosto de qualquer cidadão no meio de uma multidão. Fora do território chinês, os testes se ampliam também aqui no Brasil, seja para detectar suspeitos em aeroportos, seja para monitoramento contra roubo de carros. Aliás, o sistema de reconhecimento facial dos chineses já é testado em nosso país desde o ano passado.

Mas há algo também não tão revelado no Desafio dos 10 Anos. As fotos podem até nos dizer sobre a aparência que o tempo modifica em cada pessoa. Mas o que mais teria mudado nos conceitos e nas opiniões dos donos das postagens? Já que uma vez lançada na rede, uma mensagem jamais se apaga (inúmeros servidores garantem a eternidade do que é escrito), fica registrado o que uma pessoa postava e/ou pensava há 10 anos. Creio que as mudanças de pensamento também devem chamar atenção. Você acha que é a mesma pessoa que era em 2009? Existem contradições, incongruências entre o que você postava e o que posta hoje como elemento opinativo? É isso que mais me intriga.

O Pleno.News acompanhou as postagens de muitas pessoas, entre famosos e amigos, que entraram na brincadeira. Relatamos questionamentos e alertas. Mas vale também perceber como as pessoas mudam em sua forma de pensar, ser e encarar o mundo. Interesses e preocupações passam, assim como o estilo performático. Nessa onda de comparações, é interessante pensar nessas mutações ideológicas, por exemplo. E entre toda esta manifestação coletiva sobre a trajetória de uma década que seja destaque, pensar que as mudanças internas tenham sido para melhor.

Virgínia Martin é editora-chefe do Pleno.News. Formada em Jornalismo, com pós-graduação em Propaganda e Marketing, em Comunicação Empresarial e em Pedagogia, tem mestrado em Multimeios.

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