Leia também:
X Curtir ou não curtir, compartilhar ou não compartilhar

Deixem o Exército cuidar somente da defesa da pátria

Virgínia Martin - 08/04/2019 13h48 | atualizado em 08/04/2019 15h27

A cidade do Rio amanheceu mais assustada nesta segunda-feira (8). Ninguém conseguia entender como 12 militares do Exército atuaram de forma lamentável no episódio que matou uma pessoa inocente e feriu outra. Ambas com a família dentro de um carro que foi praticamente fuzilado pelos agentes de segurança. A população segue revoltada e confusa. Afinal, segundo pesquisa do DataFolha de 2018, as Forças Armadas são a instituição em que os brasileiros mais confiam.

Após a tragédia desnecessária, o Ministério Público Militar está supervisionando a condução do caso, e o Comando Militar do Leste (CML) abriu uma série de audiências para ouvir depoimentos sobre a ação dos militares do Exército. O crime aconteceu no bairro de Guadalupe, na Zona Norte da capital, uma área perigosa e que, de fato, traz tensão para agentes de policiamento.

Mas todos estão perguntando sobre os 80 tiros disparados contra o veículo da família. Fora o inconformismo, os questionamentos só aumentam:

O Exército está preparado para um policiamento ostensivo urbano?

É claro para todos que a Força Militar do Exército é treinada para outro tipo de atuação. Tem uma função nobre e específica. Também é claro que os agentes de segurança estadual é que são treinados e acostumados com ações urbanas que envolvem tensão extrema e diária. São as Polícias Civil e Militar que estão rotineiramente diante de conflitos com a criminalidade. E ainda assim, também erram. Mas atuar nas ruas não faz parte do dia a dia do Exército.

O Exército passa a agir nas ruas em meio à população quando existe um pedido de apoio para que trabalhem juntamente com as forças de segurança estadual. Foi o caso da Intervenção Federal, que formalizou uma ação conjunta no Rio de Janeiro. Fora isso, o monopólio do policiamento é das policiais estaduais.

Erros prováveis

Em operações ostensivas, existe sempre um protocolo, uma necessidade e um comando que autoriza tal operação e local determinado. O que aconteceu neste caso? E será que aquela área, já tão tensa, não poderia provocar um estado psicológico de nervosismo em agentes não preparados e não habituados com a circunstância? Por que aqueles militares estavam ali?

Outro questionamento: quem tem competência e responsabilidade de tomar decisões de disparos em caso de suspeita ou ameaça? Quais foram os prováveis erros operacionais? Bem sabemos que em uma blitz policial existem riscos e também posturas padronizadas. Luminosidade suficiente, fardamento identificável, viaturas acesas, visíveis… Porque as pessoas tendem a ficar assustadas ao pensar que podem estar passando por uma falsa blitz. Tudo requer uma dinâmica diferenciada.

Providências

Dos 12 militares envolvidos no crime, 10 foram presos. Todos foram afastados de suas funções. O crime doloso, praticado por militares, é sempre julgado pelos códigos da Justiça Militar, que já anunciou que é preciso agir com transparência para uma resposta à população. E que repudia excessos e abusos da corporação. Mas que equívocos serão revistos?

A vida do músico Evaldo dos Santos Rosa, morto pelos tiros, não retorna mais. Era apenas uma ida para um chá de bebê. A cidade se apavora, enquanto os bandidos aproveitam os erros para cometer novos crimes. O Exército se envergonha de seus oficiais criminosos, enquanto muitos acham que eles deveriam ser julgados pela justiça comum. As Forças Armadas devem manter seu foco na defesa da pátria e assim continuar como a instituição de maior confiança da sociedade brasileira. Fique cada agente de segurança no seu quadrado verde e amarelo. E aos brasileiros livres de fuzilamentos.

Virgínia Martin é editora-chefe do Pleno.News. Formada em Jornalismo, com pós-graduação em Propaganda e Marketing, em Comunicação Empresarial e em Pedagogia, tem mestrado em Multimeios.

Leia também1 Tchutchucalizar pode mudar o destino do Brasil
2 Muro de condomínio desaba e esmaga 11 carros em Curitiba
3 Caçador ilegal é pisoteado por elefante e comido por leões

WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.