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Bolsonaro: Um ser atípico e talvez em solidão

Virgínia Martin - 08/04/2019 17h54 | atualizado em 09/04/2019 10h47

Sou filha de uma geração que evitava falar de política. Afinal, política era algo sujo e ruim. E assim, anos se passaram com a população se esquivando dos personagens e dos trâmites no âmbito político do Brasil. Foi a faculdade de Jornalismo que me deu clareza e proximidade com as decisões do país por trás das estratégias benfeitoras de um lado e também dos esquemas interesseiros que manobravam o Brasil. Fui até “cara pintada” no caso de impeachment de Fernando Collor, o ex-presidente.

Mas, vamos focar no hoje, quando temos um cenário efervescente. Todo o Brasil respira e fala de política. Bolsonaro subiu a rampa de Brasília com sua faixa presidencial. E o fez graças também aos acessos digitais de uma campanha diferenciada (sem grande despesa ou déficit). E assumiu, mesmo contra a vontade de tanta gente acostumada, ou melhor, anestesiada por um sistema de governo viciado em performances, acordos e modus operandi que afundou a nação. Não é possível que os números mintam tanto. Não pode ser viável que incontáveis esquemas corruptos sejam pura miragem.

Mas, de corrupção e roubo na administração do país, os noticiários já estão cheios. O que me chama atenção é a facilidade com que Bolsonaro é criticado a cada micro gesto e sílaba que pronuncia. Porque ele, de fato, incomoda. Porque o atual presidente nada tem de “político”. Nada da velha política, talvez nem da nova. Jair é atípico neste metiê de experientes parlamentares. Provavelmente, seja por isso que tenha dito recentemente que “não nasceu para ser presidente”, que “não sabia que seria tão pesado”. É este governante máximo do país que também deve assustar por sua falta de configuração com tudo o que beira a política. Porque muitos querem daquilo que é mais conhecido, esperado, previsível.

Independente de suas decisões certas ou erradas, temos um ser que não exatamente foge, mas corre dos padrões estabelecidos. Bolsonaro acabou com os discursos eloquentes, deu fim àquelas retóricas prolixas, chutou tudo o que traz à tona um blá-blá-blá envernizado e cheio de embromação. O presidente de hoje é “curto e grosso”. Consegue sair do protocolo por diversas vezes. E segue mostrando que não sabe governar sozinho, não sabe tudo, precisa de ajuda e acredita que o país irá mudar e ter muito dinheiro – enquanto candidato, disse que a verba viria do cessar da roubalheira.

Bolsonaro acabou com os discursos eloquentes, deu fim àquelas retóricas prolixas, chutou tudo o que traz à tona um blá-blá-blá envernizado e cheio de embromação.

As críticas não param. Todos queremos resultados rápidos com decisões inequívocas. E Bolsonaro sabe que não pode errar. Uma empreitada como esta, porém, passa pelo sistema de erro e acerto, comum no desenvolvimento do mundo corporativo. Este presidente – é um questionamento – deve se sentir sozinho no seu mundo de elementos atípicos. Tudo nele é diferente: campanha eleitoral, maneira de falar, gastos, café da manhã, piadas bobas, respostas… Bolsonaro surpreende.

Não sou comentarista de política. Nem penso que valha uma análise profunda deste tal momento político brasileiro – já existem muitas. Penso mesmo que seja mais válida a utilização da simplicidade, tal qual uma criança faz quando apenas diz o que acha, sem preocupações com o que os outros vão pensar. Sim, trata-se de um assunto sério: Brasil. Mas que precisa ser também visto sem tantas amarrações complexas e com reconfiguração de muitos parâmetros inúteis e corrompidos de nosso país. E Bolsonaro é simples.

Portanto, permitam que Bolsonaro seja Bolsonaro. Atípico, despadronizado, autêntico, falho, corajoso e sem formato de política do passado. Se eu defendo Bolsonaro? Sim. Somos Pleno.News. E somos todos pela figura incomum deste presidente. Que vençam os que surpreendem para o bem!

Virgínia Martin é editora-chefe do Pleno.News. Formada em Jornalismo, com pós-graduação em Propaganda e Marketing, em Comunicação Empresarial e em Pedagogia, tem mestrado em Multimeios.

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