Aurélia, dicionário do dialeto gay, e o estudo no Brasil

Virgínia Martin - 06/11/2018 11h57

 

Pleno.News quer falar sobre a importância do estudo. Principalmente, em uma sociedade que exalta quem possui zilhões de seguidores nas redes sociais muito mais do que valoriza aqueles que possuem conhecimento como resultado de muita dedicação ao estudo. Conteúdo de qualidade pode vir de quem tenha ou não formação acadêmica. Mas viver em um sistema que enaltece o padrão de que estudar já não é mais tão importante, é, logicamente, muito empobrecido.

Vejamos! A pauta do cotidiano tem revelado que as universidades públicas estão instaurando um clima de guerra contra quem votou em Jair Bolsonaro (PSL). O estudante que se revela como Direita ou que tem paradigmas tradicionais tende a sofrer nestes ambientes. E a questão é: este pessoal que faz um curso superior gratuito tem tempo e energia para tais articulações político-partidárias? Será que um estudante preocupado com provas, notas, consumo do saber acadêmico tem energia para gastar com mi-mi-mi eleitoral?

Sabemos que estudantes dos cursos de Exatas e de Biomédicas têm mais o que fazer. E também é sabido que alunos de Humanas precisam de empenho para obterem aprovação ou, o que é melhor, acumularem conhecimento na área que escolheram para profissão. Mas, cada um faz sua escolha.

Vejamos de novo! Após uma temporada de muito estudo e apreensão, chega o dia da prova do Enem para os que desejam ingressar em mais uma etapa avançada da vida. Diga-se upgrade intelectual. Mas o estudante que passa o ano inteiro estudando as complexidades da Língua Portuguesa, como sintaxe, morfologia, semântica, dá de cara com uma questão inusitada: o dialeto gay. Será preciso conhecer o vocabulário do mundo LGBT para se inserir no mercado de trabalho?

Para quem não sabia, como os candidatos do Enem, existe um dialeto da comunidade LGBT. A primeira letra do alfabeto possui alguns significados:

Arrasou – expressão de admiração em relação a um ato bem-sucedido de outra pessoa

Aurora – mal cheiro

Ajeum – comida

Alibã – polícia

Amapô – mulher

Aqüé – dinheiro

Aqüendar – Olhar, paquera, também pode ser usado como fazer sexo

Atender – Ficar com alguém, transar

E por aí vai, revelando a escolha de conteúdo da banca formadora das questões do vestibular. A inspiração veio de Aurélia, a dicionária da língua afiada, lançado em 2006. Tem coautoria do jornalista e ativista Vitor Angelo. Agora os estudantes de Ensino Superior sabem conversar entre eles na mesma língua da comunidade LGBT. O dialeto, com certeza, é esta variedade da língua portuguesa e que deriva de uma região ou ainda de grupos. Quem sabe na próxima prova do Enem haverá uma questão que apresente o dialeto de outros grupos, como do nortista, dos economistas, dos evangélicos, dos surfistas? E os estudantes saberão escrever e interpretar melhor.

Enquanto o comportamento e o conteúdo nos meios estudantis segue com estas e outras pautas, o Brasil vai ocupando o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Pasmem! Apenas 22% de estudantes que entram nas universidades possuem boa condição de compreenderem textos em português e de se expressarem por meio da escrita. O estudo veio da pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, feito em 2016.

Salve-se quem puder! Estude quem for capaz de superar tudo isso!

 

Virgínia Martin é editora-chefe do Pleno.News. Formada em Jornalismo, com pós-graduação em Propaganda e Marketing, em Comunicação Empresarial e em Pedagogia, tem mestrado em Multimeios.

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