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Setores que seguem fechados com a quarentena registraram queda recorde

Pleno.News - 13/05/2020 10h53 | atualizado em 13/05/2020 10h57

Comércio de Londrina, no Paraná Foto: Divulgação/Sindecolon

As vendas do comércio brasileiro caíram 2,5% em março, já com efeitos da pandemia do novo coronavírus. Foi o pior desempenho desde março de 2003. Entre os oito setores pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas supermercados e produtos de higiene e limpeza se salvaram.

É o quarto indicador dos efeitos das primeiras semanas de isolamento social sobre a economia brasileira. A OMS (Organização Mundial de Saúde) decretou pandemia no dia 11 de março. Nas semanas seguintes, estados e municípios começaram a impor restrições à circulação de pessoas.

O setor de serviços, responsável por 60% do PIB (Produto Interno Bruto), teve queda recorde no mês, de 6,9%. Já a produção industrial, afetada pela queda nas vendas, caiu 9,1%, pior resultado desde a greve dos caminhoneiros de 2018.

Com isso, a taxa de desemprego avançou para 12,2% no trimestre encerrado em março, com 1,2 milhão de pessoas a mais na fila por uma vaga. No comércio, por exemplo, o fechamento de vagas foi o maior da série histórica, iniciada em 2012.

Considerando o segmento de Veículos, partes e peças e materiais de construção, o chamado varejo ampliado recuou 13,7% no mês passado, a queda mais intensa desde o início da série histórica do IBGE, em fevereiro de 2003.

– Março foi bastante impactado pela estratégia de isolamento social adotada em algumas das cidades mais importantes e populosas a partir da segunda quinzena do mês – diz o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Entre as empresas que fizeram comentários sobre causas do desempenho, 43,7% disseram que suas receitas foram afetadas pela pandemia. Esse grupo teve queda de 23% nas vendas no mês, segundo o IBGE.

Na comparação com março de 2019, disse o instituto, o recuo nas vendas do varejo brasileiro foi de 1,2%. Em 2020, porém, ainda acumula alta de 1,6%. Em 12 meses, o aumento é de 2,1%.

Atividades que tiveram lojas físicas fechadas registraram grandes recuos, algumas delas com variação recorde. É o caso de Tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), Móveis e eletrodomésticos (-25,9%) Combustíveis e lubrificantes (-12,5%).

Já aquelas consideradas essenciais se destacaram positivamente. As vendas do segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo subiram 14,6% e as de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 1,3%.

O setor de perfumaria, sabão e limpeza foi um dos únicos que se salvaram do colapso na produção industrial de março, com alta de 0,7% em relação ao mês anterior. Naquele mês, a indústria teve o recuo mais disseminado da série histórica, com queda em 23 dos 26 ramos pesquisados.

*Folhapress

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