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Guedes anuncia saída de dois secretários da Economia

Salim Mattar e Paulo Uebel decidiram deixar o governo nesta terça-feira

Pleno.News - 11/08/2020 21h25 | atualizado em 11/08/2020 21h26

Ministro Paulo Guedes, da Economia Foto: Estadão Conteúdo/Fábio Motta

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (11) que sua equipe econômica sofreu “uma debandada”. Dois secretários especiais pediram demissão. Segundo Guedes, Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização) decidiram deixar o governo.

Salim era o responsável pelas privatizações e Uebel, pela reforma administrativa.

– Hoje houve uma debandada? Hoje houve uma debandada (…) Salim falou: ‘A privatização não está andando, prefiro sair’. Uebel disse: ‘A reforma administrativa não está sendo enviada, prefiro sair’. Esse é o fato, essa é a verdade – disse Guedes.

Escolhido para ser secretário em novembro de 2018, o empresário Salim Mattar, um dos fundadores da Localiza, comandou a agenda de gestão de estatais, enxugamento de quadros de funcionários, e também a política de desinvestimento de empresas públicas, como a venda de participações. ​

A secretaria de privatizações assumiu as funções que eram do Ministério do Planejamento, que foi fundido à Fazenda.

Já Paulo Uebel, assim como Caio Megale, que também já deixou a pasta recentemente, veio do governo de João Doria (PSDB), quando o tucano ainda era prefeito da cidade de São Paulo.

O advogado gaúcho Uebel foi secretário de Gestão de Doria e também foi presidente-executivo do Lide, empresa de eventos fundada pelo governador paulista. Ele ainda foi diretor do Instituto Millenium, uma think tank de difusão de ideias liberais, onde se aproximou de Guedes.

A ida de Uebel para a esfera federal era uma tentativa de implementar em maior escala o que iniciou na Prefeitura de São Paulo em 2017 e 2018: um programa de enxugamento de gastos da máquina pública, com renegociação de contratos, corte de gastos considerados desnecessários e controle de produtividade de funcionários públicos.

Em meados de julho, Mansueto Almeida deixou o comando do Tesouro Nacional, e foi substituído por Bruno Funchal. Apesar de a troca ter sido esperada, foi a queda mais relevante da equipe de Guedes até então.

Depois disso, no fim de julho, o Banco do Brasil comunicou oficialmente a saída do presidente Rubem Novaes e foi apresentado então o pedido de demissão do diretor de programas ministério da Economia, Caio Megale.

A debandada desta terça teve, nas palavras de Guedes, como principal fator a demora na execução de planos do Ministério da Economia.

Em relação ao plano de privatizações, o ministro da Economia já vinha demonstrando publicamente a insatisfação dele e de Salim diante dos atrasos nos cronogramas.

Ainda na campanha eleitoral, Guedes apresentou a intenção de privatizar todas as estatais e, com isso, arrecadar R$ 1,2 trilhão -dinheiro que seria usado para abater a dívida pública.

Mas esse plano ainda está longe de ser executado. Guedes, após assumiu o governo, já reconheceu que esse projeto também tem que passar por um crivo político e, por isso, não consegue realizar uma privatização tão ampla como desejava.

Em abril, Marcos Troyo foi escalado para assumir a presidência do banco dos Brics (sigla que reúne os principais países emergentes, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Nesse caso, saiu, portanto, com apoio do próprio governo.

No ano passado, após atritos com o Palácio do Planalto, Joaquim Levy e Marcos Cintra deixaram, respectivamente, a presidência do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e o comando da Receita Federal.

Cintra foi demitido durante a elaboração da proposta de reforma tributária do governo.

*Folhapress

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