Em crise, Casas Bahia cortou mais de 43 mil empregos desde 2010
Empresa tinha quadro de mais de 63 mil funcionários há 16 anos, contra os 20 mil atuais
Paulo Moura - 19/08/2026 12h01 | atualizado em 19/08/2026 12h39

Envolta em uma crise financeira, o Grupo Casas Bahia já vem sofrendo há alguns anos uma redução no seu quadro de colaboradores. De acordo com um levantamento baseado nos balanços divulgados pela empresa, a companhia reduziu em cerca de 43,3 mil o número de funcionários desde 2010, quando a companhia passou por uma mudança estrutural com a união à rede Ponto Frio.
De acordo com os números da empresa, de 63.320 trabalhadores registrados no fim de 2010, o total atual seria de aproximadamente 20 mil colaboradores. A redução ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelo grupo, que entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo (16) para renegociar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões.
A redução mais recente de funcionários ocorreu neste mês, com o anúncio de demissão de cerca de 3 mil pessoas e o fechamento de 298 lojas.
No pedido de recuperação judicial, a companhia atribui parte dos problemas atuais ao período posterior à associação com o Ponto Frio. Segundo a empresa, a integração de operações de grande porte coincidiu com a necessidade de adaptação ao avanço da digitalização do varejo.
A partir de 2019, o grupo afirma ter realizado investimentos significativos em tecnologia, logística e marketplace. Com a pandemia de Covid-19, em 2020, as lojas físicas foram temporariamente fechadas, aumentando a necessidade de acelerar a estratégia digital.
A empresa também aponta a mudança no cenário de juros como um dos fatores que agravaram sua situação financeira. Os investimentos iniciais em digitalização ocorreram quando a taxa Selic estava em 2% ao ano. Em 2021, porém, os juros começaram a subir, chegando a 13,75% e posteriormente a 15% em 2025.
De acordo com a companhia, a combinação de juros elevados e inflação reduziu a renda disponível e o poder de compra das famílias. Em meados de 2023, o grupo afirma ter iniciado uma reestruturação operacional.
Naquele ano, 55 lojas consideradas deficitárias foram fechadas. As demissões chegaram a 8,6 mil funcionários, enquanto os estoques foram reduzidos em mais de R$ 1 bilhão. A empresa também cortou 60% dos investimentos e readequou centros de distribuição.
Procurada, a Casas Bahia informou que seu processo de reorganização envolve diferentes frentes e períodos e que os documentos apresentados no pedido de recuperação judicial trazem informações mais amplas sobre os desligamentos.
A companhia afirmou ainda que as medidas adotadas foram necessárias para adequar sua estrutura ao atual tamanho da operação e que mantém o foco na execução do plano de recuperação e na continuidade das atividades.
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