Editorial do jornal O Globo expõe gravidade da crise fiscal do Brasil
Artigo é um choque de realidade acerca da condução econômica do país
Marcos Melo - 15/01/2025 18h33 | atualizado em 15/01/2025 19h21

Em editorial publicado nesta quarta-feira (15), o jornal O Globo alerta para o endividamento crescente do Brasil, produzido pelo governo Lula (PT). Já em seu título, o artigo afirma que “negar a gravidade da atual crise fiscal é inadmissível”.
– Num grupo de 23 economias emergentes e desenvolvidas, o Brasil aparece com o segundo pior resultado nas contas públicas. No levantamento que considera receitas, gastos e também despesas com os juros da dívida, apenas Bolívia tem desempenho pior, segundo análise do banco BTG Pactual – diz o texto ao destacar que “esse foi o quadro registrado nos dois últimos anos e deve se repetir em 2025”.
O editorial ressalta que há previsão de que os bolivianos sigam liderando o ranking dos piores nos próximos 12 meses, mas conseguirão reduzir o tamanho do déficit. Esta realidade para o Brasil é oposta: “por aqui, o cenário é de elevação”, adverte o jornal.
Sem medir palavras, o artigo é incisivo ao expor a dura realidade em que a atual gestão submeteu o país.
– Tentativas de ilusionismo ou negação não mudaram nem nunca mudarão a realidade. O desempenho brasileiro é ruim sob qualquer ângulo. O resultado é pior que a média dos emergentes, dos desenvolvidos e da América Latina.
As previsões nada agradáveis expostas na publicação relacionam a desconfiança que o mercado financeiro tem com o governo do presidente Lula, além da disparada do dólar. Despido de qualquer complacência de ordem ideológica ou política, O Globo debocha do equipe econômica do governo e sugere a prática de “terraplanismo econômico” para ilustrar o negacionismo dos governistas diante do desastre produzido por um modelo de governo perdulário.
– O endividamento em relação ao PIB crescerá 14 pontos percentuais ao longo do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para um país com uma dívida alta como o Brasil, o cenário é um tremendo problema. Por isso a insegurança no mercado financeiro e as altas repetidas do dólar. Insinuar que as esquinas da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, estão cheias de especuladores trabalhando contra o país é terraplanismo econômico.
Ao mencionar o posicionamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última semana, sobre um fantasioso déficit de 0,1% do PIB, o texto desnuda o frágil argumento do petista e lembra que “o cálculo do ministro usa metodologia que não inclui as despesas com os juros da dívida”.
– Na análise do resultado fiscal, a Fazenda também retira fatores extraordinários. Eventos como os gastos com as enchentes do Rio Grande do Sul não são considerados. O esforço pode ser válido, mas o incrível é que, com todas essas ressalvas, o governo não conseguiu equilibrar as contas.
Na conclusão, o jornal carioca adverte que “o endividamento, é bom não esquecer, segue subindo”.
– A dívida chegará a 86% do PIB no ano que vem, 91% em 2027, mais de 100% em 2030 e 116% em 2034, o horizonte das estimativas. Quanto mais elevada [a dívida pública], maior o custo de rolagem. Neste ano os gastos com juros devem passar de R$ 1 trilhão. Diante de tantas evidências, negar a gravidade da crise fiscal é inadmissível. É hora de medidas à altura dos desafios – finaliza.
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