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Preços lá em cima! Empresas usam pandemia para lucrar

Preços abusivos e medo no consumidor incentivam crise

Camille Dornelles - 28/05/2020 12h51

Preço de álcool em gel e máscara disparou no mercado Foto: Reprodução

Diante de situações calamitosas, o oportunismo de empresas é uma das reações que acabam agravando a crise e a luta da população atingida em atravessar o momento difícil. Nesta pandemia, estabelecimentos já foram autuados por aumentar abusivamente o preço de produtos como álcool em gel e máscaras de proteção.

Algumas empresas colheram frutos negativos em outros momentos de crise no Brasil, tanto em questões de reputação com o público, como econômicas e jurídicas.

Os consumidores também podem sofrer a pressão em criar estoques, quando as marcas falam sobre escassez de produtos, por exemplo. Os efeitos econômicos negativos são sentidos e geram reclamações de clientes.

OUTROS CASOS
Pouco antes da pandemia do novo coronavírus, em janeiro deste ano, aconteceu a crise de água no estado do Rio de Janeiro que comprometeu a ingestão de água encanada.

Por causa do aumento abusivo dos preços da água mineral, 13 estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro foram autuados pelo Procon estadual por cobrar até 400% a mais em galões.

Em Brumadinho, Minas Gerais, os preços de combustíveis e cestas básicas apresentaram aumento de preço, de 6% a 80%, por até três meses após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão. Os moradores da cidade haviam perdido seus empregos e fonte de renda e muitas vítimas ainda não haviam sido indenizadas pela Vale.

O quadro se repete também em outros países. Nos Estados Unidos, preços abusivos após desastres naturais obrigaram estados a criar leis para o congelamento de preços de itens básicos. Foi o que ocorreu no Texas em 2017 após a passagem do furacão Harvey. O galão de água chegou a ser vendido a 99 dólares (R$ 530 hoje).

OPORTUNISMO NÃO É SÓ PREÇO ABUSIVO
O incentivo à compra de grandes quantidades de produtos, como o que ocorreu com os pacotes de papel higiênico ou máscaras N95, também pode ser classificado como oportunismo, segundo o neurocientista Billy Nascimento, co-fundador e CEO da Forebrain.

Ele atua analisando o comportamento do mercado e conversou com o Pleno.News sobre o papel correto das empresas durantes crises.

Álcool em gel vendido em Portugal a 25 euros Foto: Arquivo pessoal

CUIDADO COM O RELACIONAMENTO
Nascimento explica que a tentativa oportunista de lucrar durante um momento difícil, como a pandemia, prejudica o relacionamento da marca com o consumidor e pode acarretar um futuro negativo para a empresa.

– O oportunismo é quando você quer se aproveitar deste momento, seja aumentando o preço para lucrar demais ou estimulando demais o consumo. Temos, neste momento da pandemia do novo coronavírus, por exemplo, problemas com marcas que aumentaram o preço do álcool gel e outras fazendo propaganda para as pessoas comprarem máscaras desenfreadamente. Tivemos problema de falta nos hospitais, por exemplo. Será que esta é a forma correta de construir uma relação com o consumidor? – indaga.

De acordo com Nascimento, o outro extremo, da omissão, também não é a maneira correta de a empresa passar por uma crise.

– As empresas precisam evitar os dois polos perigosos que são o da omissão e o do oportunismo. Omissão é quando a marca desaparece, não tem o que falar ou acha que não é com ela, esperando só passar a pandemia para voltar a agir. Isso é errado. O consumidor quer um posicionamento das marcas. Então, se você evita esses polos, tem que encontrar o equilíbrio, que é o protagonismo: entender onde está e o seu papel como marca – apontou.

DESCOBERTA DO PROTAGONISMO
A marca deve responder a pergunta “por que você existe e o que tem a contribuir?”. É uma relação de propósito e também olhar aprofundado sobre o que está mudando ou virá a mudar nos hábitos do seu consumidor. Quando a marca se atenta a estas questões, ela pode construir algo a mais do uma estratégia de mercado, mas uma causa que seja boa no funcionamento, além de produtos que irão trazer outras maneiras dele se relacionar com o consumidor.

Marcas devem encontrar espaço de protagonismo Foto: Divulgação/Forebrain

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