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Com fábricas paralisadas, produção de veículos cai 21%

Entidade que representa os fabricantes disse que números estavam bons antes do início da crise

Paulo Moura - 07/04/2020 07h59

Produção de veículos teve queda por conta do coronavírus Foto: Comunicação Volkswagen do Brasil

A produção de veículos leves e pesados no último mês caiu 21,1% em relação a março de 2019. Os dados foram divulgados na segunda-feira (6) pela Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil.

Entre fevereiro e março, a queda é de 7%; no acumulado do ano, a retração chega a 16%. Fábricas distribuídas por 10 estados e 40 cidades estão paradas há duas semanas devido à pandemia do novo coronavírus e, embora estejam preparadas para reativar as linhas de montagem, não há previsão de que isso ocorra em abril.

– Já havia mencionado o risco de interromper a produção por falta de componentes vindos da China e problemas de logística, mas a parada ocorreu devido ao agravamento da crise para proteger os trabalhadores e não sobrecarregar o sistema de saúde pública – diz Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Algumas montadoras já anunciaram a prorrogação das férias coletivas forçadas. A Mercedes prevê o retorno para o dia 4 de maio, a depender da situação do país. A Volkswagen também confirmou que não haverá produção no mês de abril. Os emplacamentos caíram 21,8% na comparação entre os meses de março de 2019 e de 2020.

Embora algumas empresas desenvolvam canais online de vendas para manter as atividades, espera-se queda superior a 80% nas vendas em abril, seguindo o que ocorreu em países que estão há mais tempo em quarentena.

De acordo com Moraes, há 266,6 mil veículos em estoque. Seria o suficiente para 48 dias de vendas, mas a Anfavea calcula que esse volume vai atender a demanda dos meses de abril e maio.

A Anfavea não vai rever as projeções por enquanto, devido à profundidade da crise. Em janeiro, a entidade havia projetado para 2020 um crescimento de 9,4% nas vendas e de 7,3% na produção de veículos leves e pesados.

– Temos a noção de que o segundo trimestre será muito ruim para a economia como um todo, esperamos que no terceiro já comecemos a ver a retomada, que se consolidaria no quarto trimestre – afirma Moraes.

O presidente da Anfavea diz ainda que a primeira quinzena de março foi boa, com a economia rodando no ritmo normal.

– O emplacamento estava em torno de 10 mil unidades por dia, já a segunda quinzena teve um forte impacto da questão coronavírus – destaca.

A Anfavea e a Fenabrave (entidade que representa os distribuidores de veículos) fazem articulações políticas para viabilizar o funcionamento parcial das concessionárias, o que já ocorre em diversas cidades.

Moraes afirma que solicitou a todos os governadores, além de recorrer deputados e senadores, a manutenção das atividades nos setores de peças e de serviços, por considerar que são atividades essenciais.

– Temos uma frota circulante, caminhões transportando medicamentos e alimentos – completa.

*Folhapress

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