Leia também:
X Novo salário mínimo, de R$ 1.621, começa a valer nesta quinta-feira

2026 sem dívidas? Especialista ensina sobre controle de gastos

Educador financeiro dá dicas para reorganizar a vida financeira

Leiliane Lopes - 01/01/2026 15h51 | atualizado em 02/01/2026 12h50

(Imagem ilustrativa) Foto: Karola G/Pexels

O ano de 2026 começa com um alerta para milhões de brasileiros; dados do Banco Central indicam que 49,3% das famílias estão endividadas, com cerca de 29,4% da renda mensal comprometida com dívidas. A situação é ainda mais ampla segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, que aponta que quase 80% das famílias possuem algum tipo de dívida, número que segue em crescimento.

Para o professor de Matemática e especialista em Educação Financeira Rodrigo Serra, o principal problema desse cenário está no impacto direto sobre a vida cotidiana das famílias.

– A preocupação nesse cenário é com o comprometimento da renda. As dívidas, muitas vezes, abalam a estrutura dos serviços fundamentais para a família como alimentação, energia, água, transporte, compra de medicamentos. Nesse cenário, a Educação Financeira, que transcende a relação com dinheiro, é fundamental, pois vai do simples planejamento, do escrever em papel ou uma planilha os gastos, a economia – de luz, por exemplo, não deixando as luzes acesas, se não estiver utilizando. O mesmo para a aquisição de um bem, pesquisando o melhor preço, não comprando por impulso, são questões importantes no âmbito da gestão financeira – explicou ele ao Pleno.News.

Segundo o especialista, o aumento do endividamento exige cautela imediata para evitar que a situação se agrave ao longo do novo ano.

– A ideia é que, diante desse cenário, as pessoas ou famílias endividadas possam não aumentar esse endividamento e buscar soluções junto aos credores para melhorar esse cenário.

ERROS QUE LEVAM AO ENDIVIDAMENTO
Ao analisar por que tantas famílias comprometem uma parte significativa da renda com dívidas, Serra destaca falhas comuns na gestão do dinheiro, muitas vezes ligadas à falta de planejamento.

– Em educação financeira é importante lembrar de três ideias fundamentais: o consumo consciente, a ideia de valor e o planejamento. Para que este tripé de ideias possa colaborar, deve-se sempre fazer algumas perguntas ao pensar em adquirir algo: estou realmente precisando? Se sim, como farei o planejamento para comprar esse bem? Quais são as possibilidades? Quanto do meu salário ou ganho (no caso de quem não é CLT) vou comprometer para pagar as parcelas? Pesquisei o melhor preço? Se for um carro, casa, terreno, verifiquei a possibilidade de consórcios? – ensina.

Ele também faz um alerta direto sobre o uso do crédito, especialmente dos cartões.

– Um dos principais erros na gestão do dinheiro está em confundir crédito com dinheiro. Uma coisa é ter crédito, outra é ter o dinheiro. Portanto, ficar atento a múltiplas possibilidades de crédito, como por exemplo, ter muitos cartões e não conseguir dar conta das faturas – o que pode colaborar para o endividamento, devido às altas taxas de juros. O cartão de crédito, no caso, é um recurso importante para compras à vista ou parcelado, desde que se consiga pagar a fatura total.

PRIMEIRO PASSO PARA SAIR DO VERMELHO
Para quem já está inadimplente, o especialista afirma que não há solução sem organização e clareza da situação financeira. Ele sugere que o primeiro passo seja mapear quais as dívidas possui, só assim será possível pensar em como sair do vermelho, através da negociação.

– Buscar, na medida do possível, verificar se não há nenhuma campanha de desconto para essa dívida. O Serasa e outras instituições geralmente oferecem programas para quitação ou parcelamento das dívidas. Verificar a possibilidade de portabilidade da dívida para outra instituição ou uso de crédito consignado (se for o caso) sempre atento às taxas de juros – orienta Rodrigo Serra.

Após a negociação, o planejamento continua sendo essencial.

– Verificar, após negociação, como fará para quitar, de onde virão os recursos para pagar e como será o planejamento para que consiga honrar o pagamento.

Serra explica que nem toda dívida é necessariamente negativa, desde que seja planejada.

– Uma dívida “saudável” é aquela que geralmente é planejada e o valor a ser pago está dentro do orçamento, e, mesmo que ocorra alguma adversidade, poderá ser quitada.

O problema, segundo ele, está nas dívidas assumidas sem controle, como as que comprometem seu futuro, com juros altíssimos como cheque especial, que segura o salário do trabalhador prejudicando alimentação, transportes, entre outros itens essenciais..

ORGANIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA
Mesmo sem aumento de renda, o especialista afirma que a reorganização dos gastos pode trazer resultados concretos.

– O planejamento é fundamental, seja para organizar e visualizar as dívidas atuais, como para projetar um caminho na construção da saúde financeira e atentar para desafios e imprevistos que possam acontecer – declara o especialista.

Ele detalha que mudanças no cotidiano fazem diferença.

– A (re) organização dos gastos é essencial nesse caminho, cortar o que não precisa, que não é essencial, economizar ao máximo, reaproveitar roupas, materiais escolares, pesquisar serviços básicos mais em conta, como por exemplo corte de cabelo, telefonia, diminuir ou zerar gastos com saídas (que envolvem transporte, consumo) até que possam se reequilibrar, são algumas dicas.

Após sair das dívidas, o cuidado deve ser contínuo para não repetir o ciclo.

– Essa é uma questão importantíssima. Atenção às ofertas de créditos, usar de forma consciente, sempre lembrando de se perguntar: “Estou comprando porque preciso ou é por impulso?”

Rodrigo Serra também recomenda criar o hábito de poupar, incluindo no seu dia situações como planejar as compras, aprender a poupar, mesmo que sejam valores como R$ 10,00 por mês, e assim se preparar para realizar planos ou até criar a reserva de emergência.

Ao definir uma meta financeira para 2026, o especialista reforça a importância da consciência e do respeito à realidade de cada família.

– Primeiramente ter a dimensão dessa dívida e/ou dívidas e verificar quais delas daria para tentar negociar a curto prazo e quais a longo prazo. Ao mesmo tempo, cortar, na medida do possível, gastos que não são essenciais e manter a fonte de renda.

Leia também1 Novo salário mínimo, de R$ 1.621, começa a valer nesta quinta-feira
2 Rafaella Justus diz que música de Fernandinho a ajudou
3 Novo ano, novas metas: Por que cuidar das emoções importa?
4 Roberto Carlos dá bronca em fotógrafos durante show
5 Rio tem mais de 600 resgates; adolescente está desaparecido

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.