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“Maior estudo brasileiro” não diz que cloroquina é ineficaz

Pesquisa diz que não é possível "excluir definitivamente um benefício substancial" do medicamento

Paulo Moura - 24/07/2020 13h25 | atualizado em 24/07/2020 13h32

Estudo sobre cloroquina não diz que medicamento é ineficaz Foto: Reprodução

Ao longo desta semana, um estudo brasileiro sobre o uso da hidroxicloroquina em pacientes com grau leve e moderado de Covid-19 chamou bastante atenção e causou grande repercussão, especialmente entre veículos de imprensa, por supostamente atestar a ineficácia do medicamento em pacientes da doença. Entretanto, apesar de diversas manchetes estamparem tal conclusão, o próprio texto da pesquisa publicada no periódico científico The New England Journal of Medicine desmente o fato e o Pleno.News vai explicar o porquê.

Nos conteúdos divulgados, há a citação ao fato de que os autores não encontraram diferenças entre os efeitos do uso de hidroxicloroquina sozinha ou com azitromicina em comparação aos pacientes que não receberam os remédios, do denominado grupo-controle. A informação, de fato, é verdadeira, porém os pesquisadores citam no estudo que a pesquisa teve várias “limitações”, o que não foi citado por grande parte das reportagens publicadas sobre a análise.

É nesse momento, quando elenca a primeira dessas limitações, que o estudo diz que “embora a estimativa pontual do efeito não sugira nenhuma diferença importante entre os grupos em relação ao resultado primário, o estudo não pode excluir definitivamente um benefício substancial dos medicamentos do estudo (hidroxicloroquina e azitromicina) ou um dano substancial”. Ou seja, os próprios pesquisadores afirmam que não é possível concluir que o fármaco seja “ineficaz” como afirmam os veículos de imprensa.

Além desse ponto, o estudo ainda elenca outros fatores limitantes que podem ter contribuído para o resultado, e que não foram tornados públicos nas reportagens, como o fato de que o julgamento não foi cego, ou seja, tanto os participantes quanto os pesquisadores sabiam o que estava sendo aplicado e em quem estava sendo aplicado. Incluso a isso, a análise registrou desvios ao protocolo de tratamento por conta da falta de medicamentos.

O estudo também reconhece que, por incluir entre os analisados pessoas com 14 dias após o início das sintomas, “é concebível que intervenções que possam limitar a replicação viral (por exemplo, hidroxicloroquina) possam ser mais efetivas mais cedo no curso da doença”. Para conferir o estudo na íntegra, em sua versão original em inglês, é só acessar o link.

SOBRE O ESTUDO
Chamado originalmente de Hydroxychloroquine with or without Azithromycin in Mild-to-Moderate Covid-19, cuja tradução para o português é Hidroxicloroquina com ou sem Azitromicina em Covid-19 leve a moderado, o estudo analisou 667 pacientes com quadros leves ou moderados da doença. Eles foram atendidos em 55 hospitais brasileiros. Por sorteio, os pacientes foram divididos em três grupos: um com 217 pacientes recebeu hidroxicloroquina e azitromicina, outro com 221 pacientes recebeu hidroxicloroquina e o terceiro, com 227 pacientes, apenas suporte clínico padrão.

A pesquisa, revisada por outros cientistas, foi publicada na quinta-feira (23) no periódico The New England Journal of Medicine e integrou pesquisadores de locais como o Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).

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