Nasa: Maior iceberg do mundo está prestes a entrar em colapso
Imagem foi divulgada na última quinta-feira
Pleno.News - 10/01/2026 11h20 | atualizado em 12/01/2026 19h02

Na última quinta-feira (8), a Nasa (agência aeroespacial dos Estados Unidos) divulgou uma imagem do maior iceberg do mundo, o A-23A, prestes a entrar em colapso, em algum lugar no Oceano Atlântico Sul entre o leste do continente sul-americano e a ilha da Geórgia do Sul.
O A-23A se separou da Antártida em 1986. Na época, ele media 4 mil quilômetros quadrados – para efeito de comparação, mais que o dobro da área da cidade de São Paulo (1.521 quilômetros quadrados) e perto da área do Distrito Federal (5,8 mil quilômetros quadrados). Desde então, o iceberg foi perdendo massa até chegar a 1.181 quilômetros quadrados, próximo à área da cidade do Rio de Janeiro (1,2 mil quilômetros quadrados).
Na imagem do satélite, captada em 26 de dezembro, é possível ver as partes que restaram do iceberg encharcadas, com extensas poças de água azul derretida visíveis em sua superfície.
Já em 27 de dezembro, um astronauta na Estação Espacial Internacional captou uma imagem mais aproximada que mostrava poças ainda maiores.
– As áreas “azuis” são provavelmente o resultado de eventos de desintegração contínuos – explicou Ted Scambos, pesquisador sênior da Universidade do Colorado, ao site da Nasa.
E completou:
– Você tem o peso da água dentro das rachaduras no gelo, forçando-as a se abrirem.
Também é possível observar uma fina linha branca ao redor da borda externa do iceberg, que parece reter a água azul derretida – um padrão de “baluarte-fosso” causado por uma curvatura do iceberg à medida que suas bordas derretem na linha d’água.
A imagem do satélite sugere que o iceberg tem uma fissura, o que pode ser o resultado do que o cientista aposentado da Universidade de Maryland, Chris Shuman, descreveu como “uma explosão”, em que o peso da água acumulada no topo teria criado pressão suficiente nas bordas do A-23A para perfurá-las. A “explosão” teria permitido que a água derretida se espalhasse por dezenas de metros até a superfície do oceano.
Os cientistas dizem que esses sinais indicam que o iceberg pode estar a poucos dias ou semanas de se desintegrar completamente.
– Certamente não espero que o A-23A dure até o fim do verão do hemisfério Sul – disse Shuman.
O iceberg já está em águas com cerca de 3º C e sendo empurrado por correntes que o levam para águas ainda mais quentes, que o corroerão rapidamente.
Mesmo para os padrões da Antártida, o A-23A teve uma jornada longa e sinuosa, repleta de capítulos inesperados que melhoraram a compreensão dos cientistas sobre os megaicebergs.
Depois de ficar encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell por mais de 30 anos, o A-23A se soltou em 2020 e passou vários meses em um vórtice oceânico giratório chamado coluna de Taylor.
Ele acabou girando e se dirigindo para o norte, quase colidindo com a ilha da Geórgia do Sul e ficando preso em águas rasas por vários meses antes de escapar para o oceano aberto, onde se fragmentou rapidamente ao longo de 2025.
Ao site da Nasa, os cientistas que acompanharam o iceberg durante toda a sua “vida” disseram ter um sentimento agridoce com o desaparecimento iminente.
– Estou incrivelmente grato por termos tido os recursos de satélite que nos permitiram acompanhá-lo e documentar a sua evolução tão de perto. O A-23A enfrenta o mesmo destino que outros icebergs antárticos, mas o seu percurso foi notavelmente longo e cheio de acontecimentos. É difícil acreditar que ele não estará mais conosco por muito tempo – disse Shuman.
*Com informações AE
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