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Corpo não funciona como deveria em temperatura acima de 35°C

Confusão mental e fala arrastada são sinais de falência térmica

Pleno.News - 26/12/2025 15h45 | atualizado em 26/12/2025 17h24

Corpo humano não funciona como deveria em temperatura acima de 35°C (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Joseph Redfield

A onda de calor que elevou as temperaturas na semana do Natal, no Rio de Janeiro, São Paulo e em outros seis estados ao redor, no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve se estender até a próxima segunda-feira (29). Para essas áreas, o órgão emitiu aviso vermelho, de grande perigo, o que significa temperaturas 5º C acima da média por mais de cinco dias e alta probabilidade de risco à vida, danos e acidentes.

Com aumento do calor extremo, resultado especialmente das mudanças climáticas induzidas pelo homem, uma série de medidas são necessárias para diminuir o impacto na saúde. De acordo com o clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento dos Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Luiz Fernando Penna, esse quadro tem potencial de geral a falência térmica do corpo.

– Essa é uma emergência médica caracterizada pela confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C – explicou o profissional de saúde.

Se o corpo apresentar esses sinais e sintomas, é necessário buscar atendimento médico de imediato, advertiu o médico. Na avaliação dele, o impacto do calor na saúde é subestimado.

– Muitas pessoas acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que incluem desde quedas de pressão até falência térmica – alertou.

Quando está muito quente, Penna explica que o corpo humano trabalha no limite. O organismo aumenta a sudorese, o que faz acelerar os batimentos cardíacos e dilata os vasos sanguíneos.

– Esses mecanismos, porém, têm limite. E, quando falham, instala-se a falência térmica – explicou.

O calor extremo também agrava o quadro de quem convive com doenças crônicas, tais como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc) e doença renal crônica.

Pessoas que fazem uso de diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e antipsicóticos também precisam redobrar a atenção. Os medicamentos podem aumentar a dilatação ou descontrolar a regulação térmica natural do corpo.

– Para quem já tem uma condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa – acrescentou o médico.

As altas temperaturas interferem ainda no sono, prejudicando o humor, aumentando a irritabilidade e reduzindo a produtividade, já que afetam o tempo de descanso, a memória e a tomada rápida de decisões.

Para essas situações, não basta se hidratar, é preciso se proteger, evitar a exposição entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados e não fazer exercícios físicos. Aqueles trabalhadores que não podem evitar sair no calor extremo, como profissionais da construção civil, de entregas e da coleta de lixo, devem fazer pausas frequentes nas horas mais quentes, recomenda.

– Não existe adaptação completa para ondas de calor extremas e repetidas. Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue funcionar como deveria – explicou Fernando Penna.

A recomendação do coordenador de pronto-socorro é evitar situações de riscos e reconhecer sinais precoces de falência térmica para evitar o colapso.

No Rio de Janeiro, já foi comprovado por pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, de fevereiro de 2025, que as altas temperaturas estão relacionadas ao aumento da mortalidade. O risco é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. O trabalho da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) analisou mais de 800 mil mortes entre 2012 e 2024.

– A maioria dos estudos sobre calor e mortalidade concentra suas análises em doenças cardiovasculares e respiratórias – disse, em nota, o pesquisador João Henrique de Araujo.

– Todavia, há estudos que relatam esses efeitos também para doenças metabólicas, do trato urinário e doenças como Alzheimer, sobre as quais dissertamos – acrescentou.

O que fazer em casos de calor?

– Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia;
– Saiba como obter ajuda, anote telefones e informações sobre o serviço de saúde ou de ambulância – para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ligue 192;
– Mantenha sua casa fresca;
– Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para refrescar;
– Use ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico.

Proteja-se

– Não saia durante os horários mais quentes;
– Quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
– Evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre;
– Mantenha-se fresco e hidratado;
– Beba mais água, recuse bebidas alcoólicas acreditando que vai relaxar, o álcool acelera a desidratação;
– Use tecidos respiráveis, roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
– Cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor.

*Com informações da Agência Brasil

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