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Mulheres conquistam o mundo viajando sozinhas

ESPECIAL MULHER: Público feminino perde medo de conhecer outros países, mesmo sem companhia

Camille Dornelles - 05/03/2020 12h00

Mulheres viajam sozinhas Foto: Pixabay

Colocar dentro da mala tudo o que mais gosta, pegar o passaporte e seguir rumo ao país que sempre quis conhecer tem sido o alvo de muitas mulheres. A liberdade também tem feito parte de muitas conquistas femininas, especialmente, quando o contexto é a comemoração do Dia Internacional da Mulher neste domingo (8). O resultado é o aumento do número de mulheres que estão viajando sozinhas.

Ainda assim, 16% das mulheres nunca chegaram a pensar em viajar por conta própria. O dado é de uma pesquisa com turistas do Brasil, México, Colômbia e Argentina feita pela Booking.com no fim de 2019.

Ela aponta que 38% das turistas latinas nunca exploraram um destino sozinhas, mas que a percepção de mulheres viajantes é positiva: 71% dos brasileiros as veem como independentes, 52% como aventureiras, 53% como seguras de si e 49% como corajosas.

Uma pesquisa mais abrangente foi feita com turistas de quatro continentes e mostrou que as italianas são as viajantes mais independentes: 63% delas, entre 18 e 65 anos, já exploraram outro país. O levantamento é de 2018 e o mais recente com parâmetros mundiais.

Maioria das brasileiras que viajam sozinhas escolhem destinos dentro do Brasil Foto: Pixabay

O Pleno.News conversou com mulheres que já se aventuraram em sua própria companhia para explorar o que elas sentem.

COM E SEM AGÊNCIA
A publicitária Carina Derschum iniciou a vida de viajante com agências para ir trabalhar na Disney, em Orlando, nos Estados Unidos.

– Minha primeira viagem sozinha foi meu intercâmbio para a Disney, para trabalhar lá. Não deu tanto medo porque foi por uma agência de viagem que dá todo o respaldo e da própria Disney. Depois disso, fui para o Uruguai aprender espanhol e fiquei um mês lá e também fui por uma agência de turismo, que acabou sendo a maior besteira. Não precisava ter feito isso e foi mais caro. Desde então, eu mesma programo minhas viagens, não pego viagem por pacote e nada do gênero – explica.

A viagem de Carina mostrou, segundo ela, que não é impossível se virar em outro país sem ajuda de agentes.

Carina Derschum explica que viagem não precisa de agência Foto: Arquivo pessoal

VIAJAR SOZINHA NÃO É ESTAR SOZINHA
A produtora editorial Paula Drummond, de 26 anos, revela que sua primeira experiência foi um “mochilão” pela Bolívia. Ela revela que teve medo, mas não o suficiente para barrá-la, e que encontrou com outras viajantes como ela.

– Nunca achei que qualquer cuidado que tive foi exagero. Mas meus primeiros cuidados são os que tenho até hoje e dou preferência para quartos só de mulheres. Acho que viajar sozinha te conecta muito com mulheres de outras culturas na mesma situação e é bonito ver que, independentemente da sua origem, o sentimento de união pode ser o mesmo – afirma.

Paula também revelou que percebeu o estranhamento de alguns estrangeiros por estar sozinha.

– Lembro de uma vez em Roma que sentei para jantar e o garçom perguntou se eu queria que ele sentasse comigo para eu não parecer uma mulher infeliz jantando sozinha na Itália. Neguei – relatou.

SOZINHA E SEM SABER A LÍNGUA
A mãe de Paula, a funcionária pública Nayra Drummond, de 56 anos, também se aventura como a filha. No caso dela, nem a falta de domínio da língua é um empecilho.

– Deu medo de não saber me comunicar, medo de me perder, medo de tudo. No início contratei um grupo com acompanhante que falasse português ou espanhol e em três dias vi que conseguiria sobreviver sem ajuda. Aí foi só alegria. Senti um pouco de machismo na Turquia, pela própria cultura deles. Acho que está arraigado, como aqui. Mas também acho que, pela minha idade, não desperto muita atenção como as mais jovens – afirmou.

Déborah Coutinho decidiu dar um passo maior e ir morar sozinha no Canadá Foto: Arquivo pessoal

DE VIAJANTE A MORADORA
A jornalista carioca Déborah Araújo deu um passo ainda maior: decidiu ir sozinha morar em outro país.

– No momento em que passei pela segurança do aeroporto carregando sozinha todas as minhas malas e documentos eu pensei: “Agora, é tudo comigo. Não tem mais papai e mamãe para me salvar. Se der problema, eu que tenho que resolver”. Eu me senti mais adulta do que nunca. Eu tinha 24 anos quando me mudei para o Canadá – relembrou.

Ela explica que tem vários hábitos de segurança, como andar com o documento sempre na doleira embaixo da roupa e não informar o endereço para estranhos ou convidar pessoas pouco conhecidas para sua casa.

– Sendo mulher e morando sozinha, acho que esses são cuidados mínimos. Talvez a sociedade ainda espere menos que as mulheres tenham esse tipo de “grito de independência”, mas vou dizer que acho um privilégio poder fazer isso. Eu me sinto mais viva e capaz do que nunca desde que me proporcionei essa experiência – afirmou a jornalista.

Todas as entrevistadas afirmaram que as experiências as tornaram mais corajosas e que sempre encontraram outras viajantes sozinhas durante as viagens, mostrando que o mercado de turismo tem aberto pouco a pouco mais espaço para as mulheres que se aventuram em voo solo.

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