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Tabaco é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão

Fumantes têm risco 20 vezes maior de desenvolver tumores pulmonares

Ana Luiza Menezes - 12/06/2018 15h35

Fumantes têm risco 20 vezes maior de desenvolver tumores pulmonares Foto: Pixabay

O consumo de tabaco é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão. Dos outros 10%, um terço representa o grupo dos chamados fumantes passivos. De acordo com o Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deverá somar 31.270 novos casos de tumores pulmonares em 2018.

Além disso, o mau hábito aumenta as chances de desenvolver ao menos outros 13 tipos de câncer, entre eles de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, bexiga, colo de útero, ovário e alguns tipos de leucemia.

O país ainda registra um elevado número de casos de neoplasias malignas entre a população fumante.

Segundo a oncologista Mariana Laloni, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), a maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao aparelho respiratório, como tosse, falta de ar e dor no peito.

– Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença – disse a médica.

Mariana explicou também que existem dois tipos principais de câncer de pulmão. Um é conhecido como carcinoma de pequenas células e o outro carcinoma se caracteriza por não apresentar pequenas células.

– O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes – destacou.

TRATAMENTO
O tratamento do câncer no pulmão pode ser feito com cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia) e radioterapia.

Sempre que possível, a cirurgia é realizada na tentativa de se retirar uma parte do pulmão acometido. Atualmente, os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, por vídeo (CTVA) são cada vez mais realizados com menor tempo de internação e retorno mais rápido do paciente às suas atividades.

A indicação da cirurgia depende principalmente do estadiamento, tipo, do tamanho e da localização do tumor, além do estado geral do paciente.

Após a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são indicadas para destruir células tumorais microscópicas residuais ou que estejam circulando pelo sangue.

Mariana defende que a combinação de tratamento sistêmico e radioterapia também pode ser administrada no início do tratamento para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contraindicada.

A radioterapia isolada é utilizada algumas vezes para diminuir sintomas como falta de ar e dor.

Mas o grande avanço dos últimos anos, ainda de acordo com a oncologista do CPO, é a imunoterapia. Baseado no princípio de que o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho desde a sua origem, e de que com o passar do tempo este tumor passa a se disfarçar para o sistema imunológico e então se aproveitar para crescer, a imunoterapia busca reativar a resposta imunológica contra este agente agressor.

– Atuando através do bloqueio dos fatores que inibem o sistema imunológico, as medicações imunoterápicas provocam um aumento da resposta imune, estimulando a atuação dos linfócitos e procurando fazer com que eles passem a reconhecer o tumor como um corpo estranho – explica a oncologista.

MELHOR MANEIRA DE EVITAR A DOENÇA
O tabaco é o principal fator de risco evitável de tumores pulmonares e está presente em cigarros, charutos, cachimbos, narguilé e também nos cigarros eletrônicos.

Ao contrário do que muitos usuários destes produtos acreditam, nunca é tarde demais para parar. Segundo a doutora Mariana, os benefícios à saúde começam apenas 20 minutos após interromper o vício, quando a pressão arterial volta ao normal e a frequência do pulso cai aos níveis adequados, assim como a temperatura das mãos e dos pés são normalizadas.

Em 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue ficam regulados e o de oxigênio aumenta. Passadas 24 horas, o risco de se ter um acidente cardíaco relacionado ao fumo diminui. E após apenas 48 horas, as terminações nervosas começam a se recuperar de novo e os sentidos de olfato e paladar melhoram.

De duas semanas a três meses após a pessoa ter parado de fumar, a circulação sanguínea melhora consideravelmente. Caminhar torna-se mais fácil e a função pulmonar melhora em até 30%.

A partir de um a nove meses sem fumar, os sintomas comuns em fumantes, como tosse, rouquidão, e falta de ar ficam mais tênues. Os pulmões ficam mais limpos e a pessoa fica mais disposta para realizar atividades físicas.

Em cinco anos, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão de uma pessoa que fumou um maço de cigarros por dia diminui em pelo menos 50%. Quinze anos após parar de fumar, torna-se possível assegurar que os riscos de desenvolver câncer de pulmão se tornam praticamente iguais aos de uma pessoa que nunca fumou.

 

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