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Mayra Cotta deu declarações sobre o caso durante entrevista ao jornalista Roberto Cabrini

Pleno.News - 07/12/2020 20h37 | atualizado em 08/12/2020 16h46

Marcius Melhem acionará Dani Calabresa e advogada na Justiça Foto: Divulgação

Mayra Cotta, advogada que defende Dani Calabresa e outras funcionárias da Globo que acusam Marcius Melhem de assédio sexual e moral, falou sobre as recentes declarações do ex-chefe do humor da emissora, em entrevista ao Domingo Espetacular no domingo (7).

Em entrevista a Roberto Cabrini, na Record, Mayra Cotta comentou que “a tática mais antiga entre os assediadores é tentar desacreditar, reduzir, diminuir a dor das vítimas”. A advogada também se pronunciou a respeito do processo que Melhem disse estar movendo contra ela.

– Eu acho lamentável que uma advogada representando vítimas de assédio sexual seja também colocada na posição de vítima, diante de uma ameaça desse tipo. Eu acho perigoso que a função de advogada esteja sendo ameaçada desse jeito – disse ela.

Advogada Mayra Cotta Foto: Reprodução

De acordo com Mayra, seriam “mais de 10 anos de abusos morais e sexuais” por parte de Marcius Melhem. Questionada sobre provas, citou que “existe a palavra das vítimas, uma investigação interna e testemunhas”.

Perguntada se acredita que houve “omissão” por parte da Globo, respondeu que não.

– Não. Eu diria que faltou o reconhecimento da gravidade do caso delas.

ENTENDA AS ACUSAÇÕES DE ASSÉDIO SEXUAL A MARCIUS MELHEM
As primeiras denúncias surgiram no fim de 2019, e foram negadas por Melhem. O nome de Dani Calabresa foi citado, ao lado do de Maria Clara Gueiros, entre as denunciantes, em postagem feita pelo jornalista Leo Dias na ocasião.

Em março de 2020, ele se afastou do comando do humor da emissora, e também de suas funções como roteirista e ator, alegando a necessidade de acompanhar tratamento de saúde de sua filha.

O período inicial de licença seria de quatro meses. Em vez de retornar, porém, Marcius Melhem teve seu contrato com a emissora encerrado após 17 anos. No comunicado final, a emissora destacou sua “importante contribuição para a renovação do humor” e não citou as acusações de assédio, o que teria gerado insatisfação em alguns artistas que acompanharam o caso internamente.

Em 24 de outubro, uma reportagem da Folha de S.Paulo, trouxe entrevista com a advogada Mayra Cotta, que assessora um grupo de artistas que endossam as acusações contra Marcius Melhem. O nome de Dani Calabresa ainda não havia sido confirmado, até então.

– Houve um comportamento recorrente, de trancar mulheres em espaços e as tentar agarrar, contra a vontade delas. De insistir e ficar mandando mensagem, inclusive de teor sexual, para mulheres que ele decidia se iam ser escaladas ou não para trabalhar, se ia ter cena ou não para elas. De prejudicar as carreiras de mulheres que o rejeitaram. De ficar obcecado, perseguindo, mesmo. Foi um constrangimento sistemático e insistente, muito recorrente – relatou.

Pouco depois, em seu Twitter, Marcius Melhem se manifestou publicamente sobre as acusações pela primeira vez.

– Diante de acusações tão graves, que de forma alguma cometi, o que eu posso fazer? Negar. Coloco à disposição toda minha comunicação que tenho arquivada, com qualquer pessoa que tenha trabalhado ou se relacionado comigo nesses anos – afirmou.

REVISTA DETALHA ASSÉDIO
Na última sexta-feira (4), a revista Piauí publicou novos detalhes sobre o caso, após ter colhido depoimentos de 43 pessoas, entre vítimas e testemunhas, muitas das quais na condição de anonimato. Entre os relatos, há detalhes dos supostos assédios que teriam sido praticados por Melhem e relatados ao compliance da emissora, incluindo os de Dani Calabresa.

Também há relatos de medidas que teriam sido tomadas por funcionários da Globo em relação à situação, como uma sugestão de que Marcius Melhem fizesse terapia após uma acusação.

Marcius Melhem negou as acusações e afirmou que iria processar a advogada Mayra Cotta e interpelar Dani Calabresa na Justiça. Em nota, a Globo não cita diretamente o caso de Melhem, mas afirmou que incentiva que “qualquer abuso seja denunciado”.

*Estadão

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