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"Passei por uma série de situações que configuram perseguição e assédio moral", disse Kaio Cézar

Ana Luiza Menezes - 16/08/2019 19h11

Kaio Cézar se demitiu ao vivo durante o Globo Esporte do Ceará Foto: Reprodução/TV Globo

O narrador esportivo Kaio Cézar, de 29 anos, que em fevereiro se demitiu ao vivo no final do Globo Esporte Ceará, da afiliada TV Verdes Mares, conta que sofria perseguições e assédio moral na emissora e que tem provas e indícios disso. O profissional, que passou 11 anos por lá, acusa o diretor da TV, Paulo César Norões, de praticar os atos e de ter humilhado ele e sua família em público.

– Quando saí da Verdes Mares eu tinha a intenção de abandonar tudo, me decepcionei demais e estava psicologicamente destruído. Entrei com uma ação na justiça. Desde 2013 passei por uma série de situações que configuram perseguição e assédio moral. O diretor Paulo César chegou a humilhar a minha família e a me mandar tomar no cu por discordar dele. Ele tentou me tirar da Copa das Confederações em 2013, tirar meu espaço no Premiere e na SporTV e me minar profissionalmente – disse.

De acordo com o locutor esportivo, que trabalha nesse ramo desde os 13 anos, as TVs cearenses parecem ter se unido para boicotá-lo.

– Antes de eu sair da Verdes Mares a afiliada do SBT tinha me procurado, pois eles não têm narrador esportivo. Depois que eu saí não fizeram mais contato. O mercado para mim aqui em Fortaleza se fechou totalmente. As TVs são unidas.

Segundo o Kaio, a situação financeira após a sua saída ficou precária.

– Só não passamos fome nem fomos despejados por causa da nossa família. Nossos pais [dele e de sua esposa] que faziam as feiras. A gente está se virando. Passei três meses penando, quase sendo despejado – afirmou.

Cézar move, atualmente, um processo contra a TV Verdes Mares, a TV Diário, a Rádio Verdes Mares e a Globo. O valor calculado é de R$ 3,8 milhões.

– Eu desejo primeiramente provar essa situação. Se eu ganhar, o valor sinceramente é o que menos importará. Estou acostumado a viver sem grana – apontoou o locutor.

No próximo dia 25 de agosto, ele começará a ter uma live na qual aparece transmitindo jogos de futebol exibida na programação da TV Metrópole, de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza.

No dia em que tomou a atitude de se demitir ao vivo ele lembra que estava muito mal.

– Naquela semana um colega chegou para mim e disse que eu não iria mais narrar o jogo que eu narraria. E ele nem era locutor da Verdes Mares. Comentei com meu chefe imediato na época e ele me aconselhou a parar de reclamar, pois tinha gente que não estaria ao meu lado. Então eu percebi que não me queriam lá, pedi para sair – revelou.

Na ocasião da saída, por ninguém saber os motivos que o levaram a se despedir do seu emprego ao vivo, boatos começaram a surgir. Dentre eles, foi especulado que a esposa de Kaio poderia ter sido assediada sexualmente por alguém dentro da emissora. Kaio nega essa versão.

– Isso não aconteceu. Até porque se tivesse rolado quem tivesse feito não estaria mais aqui para contar a história”, diz. “O Paulo César Norões não tinha nenhum motivo profissional para me tirar do ar. Éramos primeiro lugar em audiência dentre as afiliadas da Globo no país. Mas ele não ia com a minha cara. Acho que é porque eu sempre fui meio caladão e ele gostava mais de gente que falava – opinou.

ACUSADO REBATE
Acusado de praticar perseguição e assédio contra Kaio, o diretor de TV Paulo César Norões rebate as acusações e negou a versão do locutor.

– Espero que ele prove porque não tem nada disso. Minha consciência está tranquila. Não entendi o motivo de ele ter saído até hoje, foi uma surpresa geral – apontou.

De acordo com Norões, a relação entre ambos, no entender dele, era normal, já que Kaio nunca havia reclamado.

– Como que eu não ia com a cara dele e o escalei para um monte de transmissões de futebol? Copas e tudo? – pondera Norões.

O diretor já não faz mais parte do núcleo de esportes há três anos e, por isso, defendeu que não poderia ter minado a carreira do narrador.

O diretor afirma ainda que nada mudou em sua vida, mesmo com um processo correndo na justiça, e que se Kaio sofria tanto que ele tivesse reclamado acionando a central de código de conduta existente na empresa.

– Esse tipo de coisa não deveria ser discutido publicamente. Há um interesse em fazer disso um Carnaval – finalizou.

Procurado, o Sistema Verdes Mares não deu a sua versão do ocorrido até a publicação deste texto.

*Folhapress

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