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"Ajudar o outro é a melhor forma de transformar o mundo", explica o mentor Paulo Saphi

Rafael Ramos - 22/12/2019 23h09

Paula Macena (ao centro de azul) se dedica a ajudar uma comunidade carente do Maranhão Foto: Arquivo Pessoal

Há quem diga que o Natal há muito tempo perdeu o seu significado e se tornou uma data meramente capitalista, onde o ter importa mais que o ser. Entretanto, existem aquelas pessoas que optaram por manter ainda vivo o real sentido da festa.

Uma dessas é a advogada Paula Ferreira Macena. Evangélica, ela é cofundadora do primeiro escritório de advocacia para mulheres do Maranhão. Paula é voluntária da Fundação Projeto Casa, fundada há oito anos por um casal de missionários holandeses. A instituição leva pessoas para pintar palafitas, auxiliar missionários que estão em campo e ajudar com a educação das crianças no bairro maranhense de Jaracaty, além de outras atividades.

– Eu já viajei duas vezes com o Projeto Casa para o sertão do Maranhão, mais precisamente para Fernando Falcão, que é uma das cidades com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Minha primeira experiência com o Projeto Casa foi em 2017 e foi muito diferente de qualquer coisa que eu já tinha feito. Eu tive que lidar com aquela verdade e admitir para mim mesma que algumas pessoas viviam daquela forma porque é sua única alternativa – conta Paula ao Pleno.News.

A advogada afirma que sua maior experiência foi aprender a servir. Segundo ela, “o primeiro impulso não deve ser o de receber das pessoas, mas o de servi-las, independentemente de quem sejam”.

Instituto Meduca durante a festa de fim de ano Foto: Arquivo Pessoal

Quem também tirou uma verdadeira lição de vida após decidir ajudar o próximo, não só no Natal, mas em todos os dias do ano, foi Sadraque Albino de Souza, que é gestor de projetos sociocomunitários e atua, há 11 anos, no Instituto Meduca. Com sede em uma das regiões de mais alto risco social da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, o instituto é situado no bairro de Dom Bosco, em Nova Iguaçu (RJ). O Meduca foca na educação e na cultura e atende aproximadamente a 300 crianças e pré-adolescentes em vulnerabilidade social.

– Não recebemos ajuda política, governamental nem empresarial. São apenas poucas pessoas físicas que nos ajudam a manter as atividades. As lembranças são tantas, mas a reação de um dos nossos alunos, que é autista, ao ganhar uma bicicleta na festa do dia das crianças do ano passado, me deixou emocionado. Neste período de festas, realizamos festas solidárias para centenas de crianças em situação de risco – explica.

No dia 11 de dezembro foram distribuídos quase 500 brinquedos às crianças carentes e outras ações estão sendo planejadas. De acordo com Sadraque, a maior lição que ele tirou é a certeza de que “não precisamos esperar por nada nem por ninguém para levar ao necessitado o bem mais precioso que temos dentro de nós: o amor”.

O mentor de negócios e presidente da Academia Latina de Coaching, Paulo Saphi, ressalta que essa empatia nas relações sociais ajuda a compreender o outro e traz muito benefícios. Saphi frisa que, de acordo com a Universidade da Califórnia (EUA), os jovens que praticam boas ações têm menos chances de desenvolver depressão, por conta do aumento da endorfina, autoestima e sociabilidade.

– Os atos de gentileza produzem atitude positiva, elevam a autoestima e nos motivam a fazer de novo e de novo. Porque a boa ação é uma via de mão dupla, ela favorece tanto quem recebe quanto quem pratica. Se você já fez, deve-se lembrar da sensação de felicidade e bem estar por qual somos tomados. Ajudar o outro é a melhor forma de transformar o mundo.

Várias crianças foram presenteadas por festa realizada pela enfermeira Rebeca Minair Foto: Arquivo Pessoal

Membro da Igreja Batista Atitude, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a enfermeira Rebeca Minair é uma que está disposta a transformar o mundo. No dia 18 de dezembro, juntamente com o apoio do namorado Romulo e de vários voluntários, Rebeca organizou uma festa de Natal para as crianças de famílias assistidas pelo projeto Quilo do Amor, da Atitude.

Para que o evento acontecesse, a Ômega Leilões, empresa do namorado de Rebeca, realizou um leilão beneficente e reverteu todo o dinheiro para a festa de Natal. Diversos profissionais doaram seus serviços e todas as crianças foram apadrinhadas por pessoas da igreja, amigos e familiares, inclusive de fora do Brasil.

– A maior lição que tiro disso tudo vai ser olhar para as necessidades e mazelas que atingem a nossa sociedade e saber que existem mecanismos de ajuda e isso necessariamente envolve atitude. Entender que o Evangelho ultrapassa as paredes da igreja. Não precisamos de muito para ser feliz, a simplicidade e o amor verdadeiro fazem toda diferença em nossas vidas. A nossa atitude pode mudar o mundo.

Quem também pensa assim é o pastor Wilson Roberto Massone Junior, jornalista e coordenador de projetos sociais da Assembleia de Deus Missões Heliópolis, na cidade de São Paulo. Através de parcerias entre o Fundo Social do estado de São Paulo, a igreja oferece cursos que auxiliam as famílias da comunidade de Heliópolis a terem uma fonte de renda e assim conseguir fazer um Natal mais especial para seus parentes.

– Atendemos 120 famílias e oferecemos cursos de construção civil, escola da beleza e corte e costura. Oferecemos também aulas de música e dança para adolescentes, além de cursos profissionalizantes e também temos a parte de tricô e crochê. Hoje nós temos 180 alunos que formamos em construção civil e eles construíram nossa associação. Mesmo sem dinheiro e com um pouco de esforço, boa vontade e coragem você consegue fazer a diferença e, quando Deus está no negócio, as coisas funcionam – acredita o pastor Wilson.

Projeto no Rio de Janeiro faz churrasco para moradores de rua Foto: Arquivo Pessoal

No bairro de Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o pastor Davi Silva e os membros do Projeto Enoque começaram, há cinco anos, a entregar comida para moradores de rua e, três vezes ao ano, eles promovem um grande churrasco para essas pessoas. O próximo passo é construir um restaurante popular para esses moradores de rua.

– O Senhor colocou de fazer o churrasco em nosso coração. É uma oportunidade de nos sentarmos juntos e compartilharmos ideias. Temos um projeto onde queremos construir um restaurante popular para moradores em situação de rua e também uma vila para viúvas. A gente está esperado os recursos e sabemos que o Senhor vai mandar o recurso porque Ele está no negócio – declarou o pastor Davi.

Também na Zona Norte do Rio de Janeiro, a doméstica Alessandra Cordeiro, da Assembleia de Deus da Penha Circular, há quatro anos arregaça as mangas para ajudar quem precisa e fazer do Natal dos menos afortunados um dia melhor. Através do grupo Resgate, ela arrecadou 300kg de alimentos e alguns brinquedos para ajudar quem precisa. Alessandra conta que vai de porta em porta pedindo donativos e já atravessou o oceano, indo fazer obra missionária em Angola, no continente africano.

– Tanto no Brasil,quanto em Angola, o que tenho aprendido é que não preciso de muito para ser feliz. Essas experiências me levam a compartilhar o bem em todo tempo. Tenho vários outros propósitos, mas o maior deles é transformar vidas.

Aproveitando o mês de dezembro, a Sprink, maior empresa brasileira de engenharia de incêndio, apadrinhou 15 internos da Unidade de Reinserção Social Dom Hélder Câmara, com idades entre 12 e 17 anos, e os levou para viverem um dia de bombeiro voluntário no Centro de Treinamento da Sprink, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.

– O objetivo era fazer com que eles se sentissem acolhidos e amados. As crianças aprenderam noções de primeiros-socorros, resgate em altura, como sair de um local pegando fogo e com fumaça, diferenças entre os tipos de extintores e a aplicação de cada um. Ainda fizemos uma simulação de combate a incêndio em tanque de combustível – conta o gestor de Desenvolvimento Técnico da Sprink, Carlos Henrique dos Santos.

Sprink ofereceu treinamento de bombeiro para crianças Foto: Camille Couto

Carlos conta que uma das atividades promovidas para as crianças foi simular o caminho da vida deles, que acabava diante de um espelho. Durante a caminhada, elas puderam pensar em quem são seus super-heróis e no que desejam fazer daqui para frente.

– A lição que ficou é que o único responsável pelo futuro é quem se via refletido ali. Ou seja: tudo o que eles quiserem fazer da vida, só dependerá da vontade de cada um. Todos saíam chorando dali e a emoção contagiou todos nós que também caímos no choro. Ao fim, cada menino recebeu um presente de um padrinho ou grupo de padrinhos, que variava entre 4 ou 5 pessoas. Entre os presentes, estavam brinquedos, calçados, relógios e outros itens diversos.

A psicóloga Thalita Martignoni, que é mestre e bacharel em Psicologia pela Universidade Católica de Goiás (UCG), explica que o ato de contribuir em sociedade é uma necessidade humana básica que ajuda na construção de um senso de pertencimento e é muito importante para nossa saúde mental. Atitudes assim mantêm um clima de reciprocidade, segurança e justiça social.

– Boas ações derivam da nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e sentirmos as suas necessidades, sofrimentos e anseios. A empatia gera uma reação em cadeia de bons sentimentos e atitudes, como a compaixão, a ternura e a generosidade. De modo geral, a disposição para ajudar está associada à alegria. Quando fazemos o bem provocamos emoções positivas no outro e instantaneamente nos sentimos recompensados.

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