Mãe fala da luta com o filho autista de 27 anos

"Se eu não correr atrás pelos objetivos dele, meu filho vai parar no tempo", diz Rosilene da Silva

Rafael Ramos - 12/05/2019 09h00

Rosilene da Silva recebeu, com muita alegria, a notícia de sua primeira gravidez. A descoberta foi aos 15 dias de gestação e ela logo começou a fazer o pré-natal. No sétimo mês, ela teve um pico de pressão e percebeu que a barriga parou de desenvolver, como se o líquido amniótico estivesse secando.

– Fui a uma consulta e os médicos desconfiaram de que algo estava errado. Finalmente descobriram que meu filho ficou atrás da minha placenta e, por isso, não viam o feto. Então, decidiram fazer uma cesariana de emergência e eu tive uma pré-eclâmpsia. Desmaiei e só fui ver o meu filho depois de 15 dias, porque ele foi diretamente para a UTI neonatal do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro – contou Rosilene ao Pleno.News.

O menino, que recebeu o nome de Paulo Sérgio, precisou ser transferido para outro hospital, enquanto a mãe voltou para casa. Retornar sem o filho nos braços foi uma sensação ruim, mas Rosilene contou com o apoio da família.

– Todos os dias eu tirava meu leite materno e meu marido ia levar ao hospital. Somente depois de 15 dias, já de alta, pude vê-lo, pois estava operada e não tinha condições de ir ao hospital todos os dias. Quando o vi naquela encubadora, eu tive finalmente um bom sentimento, porque tinha esperança de que Deus iria ressuscitá-lo. É uma criança que hoje eu creio que Deus fez um milagre.

Paulo Sérgio (ao centro) foi diagnosticado com autismo e deficiência mental Foto: Arquivo Pessoal

Paulo Sérgio só teve alta com 45 dias de vida. Os médicos informaram que ele não teria sequelas, mas Rosilene percebeu que ele chorava muito. Com 1 ano e 8 meses, o menino teve convulsão durante sete dias, até que finalmente foi internado e descobriram uma deficiência.

– Ele já não falava as primeiras palavras que havia aprendido, babava e chorava o tempo todo. Quando ele fez 3 anos, o médico disse que ele tem o autismo na forma mais severa, juntamente com deficiência mental, devido às convulsões. Fiquei meio revoltada. Achei que os médicos poderiam ter me orientado para não chegar a esse ponto, mas depois passei a correr atrás de tratamento, sempre com unhas e dentes, procurando o melhor para ele.

Paulo Sérgio ao lado do irmão Yago, de 7 anos Foto: Arquivo Pessoal

Segundo os médicos, Paulo Sérgio jamais iria andar. Porém, aos 7 anos, ele voltou a se desenvolver e começou a frequentar a escola. Rosilene tinha que carregá-lo no colo, levar para o tratamento e voltar para casa.

A fase escolar foi complicada no início, pois ele teve que lidar com olhares e comentários maldosos. Mas a família sempre procurou incluir Paulo Sérgio em todas as atividades. Hoje, aos 27 anos, Paulo continua sendo a razão pela qual Rosilene não desiste de lutar.

– Hoje em dia é difícil encontrar tratamento. A gente procura e encontra as portas fechadas. Não tem tratamento específico no âmbito público ou um programa de governo para pessoas como meu filho. Se eu não correr atrás pelos objetivos dele, meu filho vai parar no tempo – disse Rosilene, que também é mãe de Yago, de 7 anos.

“APRENDI QUE NÃO SOMOS NADA NESSE MUNDO”
Eu aprendi muita coisa. Aprendi que nós não somos nada nesse mundo. Ele é carinhoso e, ao mesmo tempo, é agressivo na forma de se expressar. Aprendi que a gente tem que ajudar
sem olhar a quem. Aprendi a nunca desistir e é essa mensagem que deixo às mamães nesse dia: sempre batalhem pelos direitos dos seus filhos, porque eles precisam muito de nós. A regra é continuar sempre e querer sempre mais.

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