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Grávida dá à luz filho durante coma por causa da Covid-19

Administradora precisou ser intubada em CTI e passou por cesária de emergência

Camille Dornelles - 04/06/2020 15h20 | atualizado em 04/06/2020 15h31

Grávida dá à luz filho durante coma por causa da Covid-19 Foto: Arquivo pessoal

O Rio de Janeiro é, atualmente, a segunda capital com mais casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, com mais de 39 mil casos. Mas, de acordo com levantamentos do Painel Rio Covid-19 da Prefeitura, a taxa de recuperação é de 48%, quase metade dos afetados.

Uma dessas pessoas que enfrentou a Covid-19 foi a administradora Amanda Maria da Silva Ramos, de 39 anos. Ela descobriu a doença quando estava grávida de sete meses e teve que ser colocada em coma e intubada. Para que seu bebê e ela fossem salvos, passou por uma cesariana de emergência enquanto estava inconsciente.

Seu filho Lucas nasceu prematuro e completa um mês de vida neste sábado (6). A administradora conversou com o Pleno.News e relatou a luta que teve que travar com a Covid-19 e agora em sua recuperação.

Amanda, quando foi que você começou a sentir os sintomas da Covid-19?
No dia 25 de abril eu comecei a monitorar minha febre, porque comecei a sentir febre, sendo que ela era de 37,5º, 37,8º… Eu comecei a perder o apetite e o paladar das coisas. Eu comia porque tinha que me alimentar, mas não tinha vontade e nem fome. No dia 26 de abril eu vim para a Perinatal da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com esses sintomas. Fui atendida na emergência, fizeram um exame para ver o batimento cardíaco do bebê, meu nível de oxigênio no sangue estava bom e eu estava respirando bem, então não tinha motivos para internar. Me liberaram para casa e eu só voltaria se tivesse falta de ar. Naquela semana começou calafrios, febre sempre alta e falta de apetite.

Você sentiu falta de ar?
Não tive tosse e nem falta de ar, mas eu estava ficando fraca. Dizem que esta fraqueza já é falta de ar. Minha obstetra foi me monitorando. No dia 1º de maio eu fiquei o dia inteiro na cama, estado febril e apetite zero. Foi quando eu resolvi voltar ao hospital. Eu ainda não tinha o resultado do teste da Covid-19. A funcionária do hospital verificou no sistema que meu resultado tinha dado positivo para Covid. Minha saturação (nível de oxigênio no sangue) estava em 92 (acima de 90 é um bom indicativo), mas eu estava com muita fraqueza e falta de ar, então resolveram me internar.

Filho de Amanda recebe homenagem de amigos e familiares Foto: Reprodução

Quando você foi internada, já sabia que passaria por uma cesariana?
Não. No dia 2 de maio eu lembro vagamente de algumas coisas e a partir do dia 3 eu não lembro de mais nada. Na madrugada seguinte, eu fui entubada. Fui posta em coma induzido. Imediatamente já começaram a usar injeções de medicamento corticoide em mim para amadurecer o pulmão do bebê e no dia 6 foi feito o parto cesária.

No dia 1º de maio eu fui internada e a partir do dia 3 eu não lembro de mais nada

Do que você lembra quando acordou?
Eu fui transferida de hospital depois da cesária, para o Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca. Acordei totalmente grogue e sem saber o que eu estava fazendo ali naquele outro hospital porque, na minha cabeça, eu tinha ido para o Perinatal. Eu acordei numa sexta-feira. Fiquei o sábado inteiro no CTI e no domingo tive alta para ir para o quarto, onde fiquei mais dois dias antes de ir para casa.

Pais esperam pelo dia de levar o filho Lucas para casa Foto: Reprodução

E como está o seu bebê?
Estou indo todo dia visitar meu bebê na maternidade. Ele ainda não saiu do UTI do hospital e vai completar um mês de vida. Meu bebê nasceu com o coração parado, tiveram que reanimar ele, nasceu muito fragilizado. Os médicos acreditam que isso foi por causa da medicação que eu tomei para tratar da Covid-19. Mas ele vem melhorando a cada dia, meu guerreirinho! Ele está com anemia, mas isso é normal por causa da prematuridade dele. Ele se alimenta por sonda, mas está aprendendo a sugar. Quando ele conseguir se alimentar sugando, vai ter alta pelos médicos e vou poder levá-lo para casa.

Ele vem melhorando a cada dia, meu guerreirinho!

E você, está se recuperando?
Além de me recuperar do Covid, tenho que me recuperar da cesária. Quando você fica muito tempo intubada, perde muita massa muscular. Cheguei em casa sem conseguir levantar da cadeira de rodas e para fazer qualquer coisa tinha que me segurar em alguém. Eu comecei a fazer fisioterapia em casa e isso foi um grande desafio para mim. Já completei 15 dias de alta e levanto da cama, tomo banho sozinha e subo e desço escada. Com dificuldade ainda, mas estou evoluindo um dia de cada vez.

Amanda está recebendo a ajuda de sua irmã Ariane Simeone, do esposo Thiago Ramos, da filha mais velha Larissa e também da igreja. A família é evangélica e relata a história com muita fé. Segundo o marido Thiago, “toda honra e glória seja dada a Ele. Deus realiza milagre. Somente creia”.

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