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Casais sofrem separados por restrições impostas a viajantes

Campanha Love Is Not Tourism mobiliza pedidos para autoridades europeias

Pleno.News - 10/07/2020 11h37 | atualizado em 10/07/2020 11h46

Casais ficam separados na pandemia Foto: Pixabay

O amor tem tido dificuldade para atravessar fronteiras em tempos de pandemia. Muitos casais e famílias sem laços comprovados em documentos ficaram divididos entre América e Europa devido às restrições de viagem e aguardam ansiosamente o momento do reencontro.

O movimento #LoveIsNotTourism (“O amor não é turismo”) surgiu durante esta pandemia e ganhou força. O movimento move petições e protestos online sobre as autoridades de vários países.

Os manifestantes são contra as restrições nas fronteiras dos países, que afirmam ser muito mais severas do que a situação atual exige. Para eles, a proibição da chegada de estrangeiros prejudica a união das famílias e casais que moram em nações diferentes.

DRAMA DOS CASAIS SEPARADOS
Letícia Nunes de Oliveira, brasileira de 32 anos que iria se casar com um alemão em junho e teve os planos adiados é uma das pessoas que mobiliza o grupo de compatriotas na mesma situação.

Ela deixou o trabalho para poder ir para a Alemanha se casar, mas a viagem acabou não acontecendo e ela teve que enfrentar o desemprego durante a pandemia e a distância do noivo.

– Precisam escutar a nossa voz, estamos sofrendo – contou a veterinária, que deixou o trabalho para poder ir à Alemanha e se casar, mas a viagem acabou não acontecendo.

Casal aguenta distância entre Alemanha e Brasil Foto: Arquivo pessoal

Casais de brasileiros que estão morando longe também sofrem. É o caso do fisioterapeuta Felipe Machado, que atualmente faz doutorado na Holanda, está separado da amada, a engenheira civil Bruna Morgana Benedetti. Os dois entraram no movimento Love is Not Tourism.

Felipe Machado e Bruna Benedetti estão separados e impossibilitados de se verem Foto: Reprodução

Eva Hoornaert criou um grupo no Facebook em prol do movimento, que tem cerca de mil integrantes. Ela defende que as restrições atuais não têm sentido, geram frustração e, em alguns casos, até doenças entre aqueles que esperam tanto tempo para rever quem se ama. Natural da Bélgica, ela vive há dois anos um relacionamento à distância com um israelense.

– Muitos países (da União Europeia) estão tomando medidas muito mais perigosas que a reunião familiar, e isso nos mostra que é possível tornar (o reencontro) real, mas como não existe um valor econômico em jogo, somos deixados de lado – afirmou Eva.

O QUE DIZEM AS AUTORIDADES
A Comissão Europeia recomendou que seus Estados membros vetem a entrada de passageiros procedentes de países onde a pandemia não está sob controle. Atualmente, apenas os que chegam de 14 deles possuem acesso liberado. Da América Latina, só os do Uruguai têm “passe livre”.

Enquanto em muitos países da Europa, após quase quatro meses de quarentena, já é possível fazer turismo, cruzar fronteiras e alimentar o amor bem de perto, casais e familiares divididos entre América Latina e Europa encaram uma dura realidade.

A Comissária da União Europeia para Assuntos Interiores, Ylva Johansson, se manifestou em uma coletiva de imprensa e afirmou que apoia o movimento #LoveIsNotTourism e que pediu às “autoridades dos Estados membros (da UE) e às companhias aéreas para que apliquem uma definição de relacionamento mais ampla”.

Os pedidos surtiram efeitos em quatro países até agora: Noruega, Suécia, Dinamarca e Áustria. Esses permitem as viagens entre namorados e noivos que possam comprovar o relacionamento binacional.

*Com informações da Agência EFE

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