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Além de transtorno aos animais, queima de fogos de artifício também pode agravar aquecimento global

Pierre Borges - 29/12/2020 13h00 | atualizado em 29/12/2020 13h22

Queima de fogos na praia de Copacabana Foto: Divulgação/Secom

Devido à pandemia e ao alerta contra aglomerações, a queima de fogos na comemoração do Natal foi reduzida. E há indícios de que a de Ano Novo seguirá o mesmo exemplo. Nos anos anteriores, embora leis contra a queima dos fogos de artifício barulhentos tenham sido aprovadas em algumas cidades brasileiras, essa prática continuava sendo comum. Já em 2020, os índices de poluição atmosférica deverão ser reduzidos porque não haverá a tradicional queima de fogos de artifício, promovida pelas prefeituras, inclusive no Rio de Janeiro.

Ainda que muitas pessoas associem os shows de luzes à alegria e diversão, animais, crianças, pessoas autistas e idosos ficam agitados com o barulho, podendo até desenvolver crises de ansiedade. Alguns cães, por exemplo, por possuírem audição aguçada, são mais sensíveis a barulhos altos (como o dos de rojões) e podem sofrer estresse e insegurança devido às celebrações.

Durante a queima de fogos de artifícios, os animais ouvem o barulho em uma frequência diferente da nossa e não conseguem identificar a origem do som. Por isso, interpretam-no como uma ameaça e podem entrar em pânico.

Os animais ouvem o barulho em uma frequência diferente da nossa e não conseguem identificar a origem do som

Segundo a professora Dra. Valeska Rodrigues, docente no curso de graduação em Medicina Veterinária da Universidade de Franca – UNIFRAN, os fogos de artifício podem causar alterações comportamentais e físicas em cães e gatos, com mudança de comportamento que pode levar o animal até a óbito. No início de 2019, um vídeo viralizou nas redes sociais, com o desabafo dos donos de uma cadela que sofreu um infarto durante a queima de fogos.

– Quando constante, esse tipo de ruído sonoro poderá gerar alterações de comportamento crônico [no animal], como lambedura em diferentes partes do corpo, defecar ou urinar em locais diferentes do [de] costume, até mesmo aborto em fêmeas gestantes – alertou.

A veterinária ainda salienta outros cuidados que se fazem necessários próximo aos momentos de estouro dos fogos.

– Não se deve parar tratamentos prescritos anteriormente sem a orientação do médico veterinário, e sempre [deve-se] buscar ajuda do profissional caso [se] tenha alguma dúvida. […] a alimentação do animal não pode ser feita tão próxima ao acontecimento, haja vista que o organismo do animal pode sofrer alterações, e isso pode ser prejudicial – afirmou a veterinária.

Para a veterinária Adriana Souza dos Santos, clínica geral da AmahVet, algumas técnicas como o adestramento ou o uso de terapêuticos, como os florais, podem ajudar a aliviar esse estresse. Adriana, no entanto, enfatiza que, para isso, é recomendado uma consulta a um profissional que indicará o melhor tratamento para cada animal.

O aquecimento global e as crises climáticas também são afetados pela redução da queima de fogos

O aquecimento global e as crises climáticas também são afetados pela redução da queima de fogos de artifício, já que elas podem provocar nuvens atípicas.

As partículas também teriam impacto sobre os padrões de chuva

Uma pesquisa publicada no Journal of Geophysical Research-Atmospheres revelou que as partículas de carbono negro podem estar tendo um efeito duas vezes maior do que estimado anteriormente. A fuligem perde apenas para o dióxido de carbono como o mais importante agente causador de aquecimento no planeta. As partículas também teriam impacto sobre os padrões de chuva.

Segundo Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News & Negócios, a pandemia da Covid-19 pode levar a população a repensar práticas nocivas à natureza, promovendo um futuro mais sustentável.

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