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Abuso sexual infantil no isolamento: Reconheça sinais

Médico orienta sobre como identificar sinais de que criança está sendo abusada sexualmente

Virgínia Martin - 29/05/2020 18h09 | atualizado em 03/06/2020 13h32

Abuso e exploração de crianças e bandeira do médico cristão

Segundo dados do Balanço Disque 100, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em 2018, o Brasil registrou 17.093 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, fora o grande número de subnotificações e casos não reportados. E com a pandemia de COVID-19, o abuso sexual contra crianças tende a ter um crescimento nas estatísticas.

O médico Carlos Bezerra Júnior especializou-se em ginecologia e atualmente atua em seu segundo mandato como deputado estadual (PSDB/SP). Uma de suas ênfases no setor público é combater o abuso e a violência sexual contra crianças. Procurado por Pleno.News, o médico falou de sua campanha de orientação e trouxe alguns esclarecimentos sobre como é possível identificar se uma criança pode estar sofrendo abuso sexual e como abordá-la para conversar sobre o assunto.

Que sinais indicam possível abuso de crianças?
Costumo explicar que para melhor identificar se uma criança está em situação de risco ou se pode estar sendo abusada sexualmente existem alguns sinais indicadores. Existem os sinais mais corporais, aqueles mais aparentes no corpo da criança, como dor, inchaço ou sangramento nas partes genitais, dor ou falta de controle na hora de urinar, dificuldade de andar ou de sentar. Assim como é preciso estar atento às roupas íntimas de crianças pequenas que podem estar rasgadas ou manchadas de sangue.

Pode passar a ter regressão a comportamentos infantis, masturbação compulsiva e resistência de voltar para casa depois da escola

Também existem os sinais que não estão no corpo, mas que são comportamentais. A criança pode começar a ter medo de escuro ou de lugar fechado. Apresenta abatimento profundo, alteração de hábito alimentar, mudança súbita e inexplicável de comportamento. Pode passar a ter regressão a comportamentos infantis, masturbação compulsiva e resistência de voltar para casa depois da escola.

Portanto, é fundamental que os pais e os responsáveis estejam atentos com qualquer tipo de mudança, que nem sempre são evidentes. Observem sempre o que pode estar errado e acompanhem de perto. O que pode chamar atenção pé um conjunto de sinais. Por trás destas mudanças pode ter um caso grave de abuso sexual ou de violência doméstica.

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Como abordar sobre o assunto com os filhos, quando existem suspeitas?
Para que uma criança possa se sentir segura para poder falar sobre algo que tenha acontecido com ela, sobre algum abuso que tenha sofrido, ela precisa sentir que tem um canal aberto e permanente com seus pais. Se ela for abordada de forma brusca ou desconfiada, pode acabar se fechando. Se for questionada, pode achar que não irão acreditar nela. É preciso ouví-la atentamente. A criança precisa se sentir acolhida e que está em um ambiente de segurança.

Se ela for abordada de forma brusca ou desconfiada, pode acabar se fechando

Mas a prevenção também é muito importante. Quando a criança começa a perguntar sobre questões de sexualidade, é necessário tratar esta conversa de forma leve, sem demonstrar que é um tabu. Saibam que é importante falar sobre sexo com seus filhos. Se você não falar, alguém vai falar e esse alguém pode ter intenções bem diferente das suas.

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Diferença entre abuso e exploração

O médico também esclarece sobre a diferença entre abuso sexual e exploração sexual. Ele ressalta que abusos são cometidos por pessoas conhecidas da vítima e não envolve dinheiro. Já a exploração sexual, geralmente ocorre por pessoas fora do círculo familiar e de conhecimento de uma criança ou de um adolescente, e envolve dinheiro. Nesta questão de exploração, Carlos Bezerra Jr também comenta que há ainda uma cultura machista de que o corpo de uma criança pode ser manipulado por um adulto.

A criança não se prostitui, ela é explorada

Prostituição infantil, explica o médico, é um termo errado. A criança não se prostitui, ela é explorada. E são submetidas a isso e podem ser vítimas do tráfico humano. E se crianças aceitam esta forma de vida, devem ser ajudadas para que saiam desta situação dramática.

Como forma de ajuda e de orientação, Carlos Bezerra Jr produziu a cartilha 7 Passos para o enfrentamento da violência sexual infanto juvenil.

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