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Viúva de Bruno Pereira quer desculpas de Bolsonaro e Mourão

Presidente da Funai também foi citado para retratação

Pleno.News - 15/07/2022 13h10 | atualizado em 15/07/2022 14h01

Bruno Pereira Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

Beatriz Matos, viúva de Bruno Pereira, assassinado no dia 5 de junho na região do Vale do Javari, pediu que o presidente Jair Bolsonaro (PL), o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) e o presidente da Fundação Nacional do Índio, Marcelo Xavier, se desculpem e revejam suas declarações feitas após o desaparecimento do indigenista e do jornalista Dom Phillips no Amazonas.

A antropóloga afirmou que as falas sobre o trabalho de Bruno, Dom e da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) foram “indignas” e “absurdas”.

– O presidente falou coisas que eu me recuso a repetir aqui. E isso não é uma questão menor, é uma questão muito séria, é o presidente da república, e o vice presidente da república – disse Beatriz Matos.

As declarações da viúva foram feitas nesta quinta-feira (14), durante audiência pública da Comissão Temporária sobre a Criminalidade na Região Norte, no Senado. A comissão também ouviu o líder indígena e ex-coordenador da Univaja, Jader Marubo, que relatou o processo de desmonte das estruturas de fiscalização do Estado na Amazônia.

Viúva de indigenista falou ao Senado Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

– Se houvesse uma Funai forte, uma Funai atuante, uma Funai que fizesse o trabalho ao qual ela foi criada a fazer, hoje o Bruno estaria vivo – disse Marubo.

Bruno Pereira e Dom Phillips foram assassinados durante uma expedição na região da Terra Indígena Vale do Javari (AM), em 5 de junho. Os dois estavam investigando a invasão de terras indígenas por pescadores ilegais.

Ainda durante a reunião, os senadores aprovaram requerimentos pedindo informações ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal sobre as investigações das mortes de Bruno e Dom.

O presidente Bolsonaro havia dito, em junho, que a presença do indigenista e do jornalista no Vale do Javari era uma aventura.

– Pelo que tudo indica, se mataram os dois, espero que não, estão dentro d’água. E dentro d’água pouca coisa vai sobrar, peixe come, não sei se tem piranha no Javari – disse o chefe do Executivo.

– A gente lamenta, pede que nada tenha acontecido – afirmou Bolsonaro no dia 15 de junho.

Já o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que Dom “entrou de gaiato” e que assassinato foi um “dano colateral” causado pelo trabalho de Bruno Pereira no Vale do Javari.

O presidente da Funai, Marcelo Xavier, comentou sobre o desaparecimento da dupla afirmando que o indigenista e o jornalista entraram em terra indígena sem autorização da Fundação, e que erraram ao não comunicar a viagem.

*AE

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