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Sicário de Vorcaro declarou ter patrimônio de R$ 8,4 milhões

Parte relevante era composta por relógios de luxo, cujo conjunto supera R$ 5,8 milhões

Paulo Moura - 27/03/2026 09h21 | atualizado em 27/03/2026 16h02

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário Foto: Reprodução/Print de Redes Sociais

Um material analisado por investigadores da Polícia Federal e pela CPI do Crime Organizado do Senado revelou uma alta expressiva no patrimônio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que atuava para o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dados da declaração de Imposto de Renda de Mourão indicam que o patrimônio dele subiu de R$ 1,2 milhão em 2021 para R$ 8,4 milhões em 2024.

Parte relevante desse patrimônio está concentrada em itens de alto valor, especialmente relógios de luxo, cujo conjunto supera R$ 5,8 milhões. Entre as peças declaradas aparecem marcas renomadas do mercado internacional, como Rolex, Patek Philippe, Richard Mille e Audemars Piguet.

O detalhamento inclui, por exemplo, cinco relógios da Rolex avaliados entre R$ 91 mil e R$ 306 mil, além de dois modelos da Patek Philippe, estimados em R$ 800 mil e R$ 900 mil. Também foram listados três exemplares da Richard Mille, com valores que podem chegar a R$ 2 milhões cada, e um Audemars Piguet de cerca de R$ 450 mil, posteriormente vendido.

Além da coleção, a declaração mais recente, entregue em 2025, registra a posse de R$ 180 mil em dinheiro vivo, 174 mil dólares (R$ 916 mil na cotaçã atual) em espécie e participação societária avaliada em R$ 1 milhão na empresa King Motors Locação de Veículos e Participações, fundada em 2020 em Belo Horizonte.

Mourão foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Conforme as apurações, ele teria papel central em uma estrutura informal apelidada de A Turma, voltada ao monitoramento e à coleta de dados sobre pessoas consideradas contrárias aos interesses do Banco Master ou de seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com a Polícia Federal, indícios consistentes apontaram de que ele receberia cerca de R$ 1 milhão mensais para exercer essas atividades. Segundo os investigadores, o grupo operava com acesso irregular a sistemas restritos, utilizando credenciais de terceiros para consultar bancos de dados ligados a órgãos de segurança e investigação, inclusive em bases internacionais.

Durante o cumprimento de mandados de busca, em 4 de março, agentes apreenderam diversos bens, incluindo relógios, dinheiro, veículos e uma arma de fogo, que permanecem sob custódia judicial. No mesmo dia, Mourão foi preso e levado para uma unidade da Polícia Federal em Minas Gerais, onde tentou suicídio. Levado ao hospital, ele teve a morte confirmada dois dias depois, no dia 6 de março.

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