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Repórter que irritou Bolsonaro é exonerado de prefeitura

Ele estava trabalhando como freelancer para o jornal Estadão

Gabriela Doria - 26/02/2021 17h31 | atualizado em 26/02/2021 19h08

Presidente Jair Bolsonaro encerrou entrevista após pergunta de jornalista Foto: PR/Alan Santos

O jornalista João Renato Jácome foi exonerado pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PP), após questionar o presidente Jair Bolsonaro, em coletiva na última quarta-feira (24), sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de anular a quebra do sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), no caso das “rachadinhas”. Bolsonaro se irritou com a pergunta e encerrou a entrevista com os jornalistas.

João Renato era chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, mas, na ocasião da coletiva, estava de folga e prestava serviço como freelancer ao jornal O Estado de S. Paulo e ao site local Notícias da Hora. O profissional diz que foi “pego de surpresa”.

– Fui pego de surpresa. Eu fiz o trabalho no meu dia de folga. Não fiz uma pergunta ofensiva ao presidente. Acho que ele pode ter entendido errado. Não tive a intenção de constrangê-lo. Minha família está abalada. Recebi mensagens pelas redes sociais de que eu devia morrer, de que devia levar porrada, de que eu era comunista e um desgraçado. Minha vida ficou de cabeça pra baixo – disse o jornalista ao site Congresso em Foco.

Apesar de ser aliado de Bolsonaro, Bocalom nega que a exoneração seja uma represália a João Renato.

– Eu o demiti porque ele estava em horário de serviço, trabalhando para o jornal Estadão. Como comissionado, ele não poderia fazer isso. Ele diz que estava de folga, folga de quê? Não tem folga, não – declarou.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Acre (Sinjac) emitiu nota de repúdio ao episódio.

– Com este violento ataque ao jornalismo, o prefeito Tião Bocalom afronta a liberdade de imprensa e o direito de acesso à informação garantidos pela Constituição. As direções da Fenaj e do Sinjac exigem a anulação do ato e a reintegração imediata do profissional aos quadros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente – diz um trecho da nota.

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