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Record é condenada por revelar esconderijo de mulher vítima do marido

Mulher escapou de tentativa de homicídio

Gabriela Doria - 27/07/2021 18h39 | atualizado em 27/07/2021 18h43

Luiz Bacci é o apresentador do Cidade Alerta, da Rede Record Foto: Reprodução/Rede Record

A Rede Record foi condenada pela Justiça de São Paulo após o programa Cidade Alerta expor o esconderijo de uma mulher que era vítima de violência doméstica e havia escapado de ser assassinada pelo marido.

Segundo o noticiário apresentado por Luiz Bacci, T.C.P. avisou ao marido, R. V. S., com quem tem dois filhos, que iria se separar. Dias depois, enquanto ainda moravam juntos, o homem criou uma emboscada para ela. Ele pediu que a esposa o acompanhasse até o hospital pois estava sentindo fortes dores de cabeça. No caminho para a unidade de saúde, R. V. S. atacou a mulher com uma faca, mas ela conseguiu se jogar do veículo.

Ao cair do automóvel, ela fraturou o pé e foi arrastada pelo homem, sendo alvo de socos e pontapés. A vítima contou à polícia que, em determinado momento, o agressor retornou ao carro com a intenção de atropelá-la, mas um motorista que passava pelo local a ajudou.

Já na delegacia, ela foi orientada a não retornar para casa, e ficou escondida na casa dos pais. Os policiais insistiram para que ela não revelasse seu paradeiro a ninguém. O temor era que o homem, que estava foragido, tentasse concluir o crime.

Oito dias após a tentativa de homicídio, em julho de 2020, o Cidade Alerta exibiu uma reportagem sobre o caso. A produção do programa entrou em contato com o pai da vítima e, segundo a T. C. P., o programa gravou uma entrevista sem que o pai soubesse. Na conversa, ele revelou que a filha estava em sua casa. A reportagem foi ao ar com fotos da mulher e de sua família, além de expor em detalhes o local onde ela estava se escondendo.

– A partir daquele momento, T.C.P., seus filhos e seus pais passaram a viver uma apreensão ainda maior, não dormindo, mal se alimentando, não saindo de casa nem para ir ao mercado, sendo necessária a vigília dos vizinhos para qualquer suspeita. Foi um circo armado por essa emissora de TV, muito conhecida por telejornais populares, que se aprofunda em temas como esse (tentativa de homicídio), revestido de reportagem investigativa, que de investigativa não tem nada – afirmou a defesa da jovem no processo, que acusa a emissora por danos morais.

Em sua defesa, a Record afirmou que a acusação não procede porque as filmagens foram feitas em local público e porque o homem aceitou dar a entrevista.

– Não foi demonstrada qualquer instrução da polícia indicando que ela buscasse esconderijo para evitar que o seu algoz a encontrasse. Não bastasse, ela buscou refúgio na residência de seus genitores, cujo endereço certamente era de conhecimento de seu ex-companheiro, com o qual conviveu por 12 anos – afirmou a defesa da Record.

Em sua decisão, o juiz Fernando Henrique Biolcati não acatou a justificativa da emissora e estipulou indenização de R$ 15 mil.

– Não existia nenhuma necessidade e cabimento de se informar exatamente onde a autora [do processo] se encontrava, sendo tal dado irrelevante para o relato dos fatos de interesse social. Houve um claro excesso, descabido – disse na sentença.

A Record ainda pode recorrer da decisão.

O marido já se entregou à polícia.

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