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Preso, Beira-Mar vira teólogo e analisa Jesus em monografia

Chefe do tráfico no Rio criticou líderes religiosos que enriquecem com dízimo

Gabriela Doria - 15/08/2019 17h58

Fernandinho Beira-Mar se formou em Teologia Foto: Folhapress/Ricardo Borges

O presidiário Luiz Fernando Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, se formou à distância na faculdade de Teologia e recebeu o diploma de teólogo. O tema de seu trabalho de conclusão de curso, o TCC, foi Jesus Cristo.

Na monografia “Jesus Cristo: Exemplo de Vida e Fonte de Sabedoria”, Beira-Mar, reconhecido como um dos maiores traficantes de drogas e armas do país, condena a globalização, o capitalismo e o consumismo. Apesar disso, o teólogo não abre mão de transformar seu TCC em livro e vendê-lo através da internet, acompanhado de canecas, capas de celulares e camisetas.

– Infelizmente, no mundo atual, globalizado, capitalista, consumista e com todas as facilidades e rapidez oferecidas pela internet, muitos acreditam, falsamente, que felicidade consiste em possuir bens materiais, assim como poder e fama – escreveu o detento.

Beira-Mar também usou seus conhecimentos, adquiridos em 3.340 horas de aula via internet, para criticar o cristianismo moderno e também alguns líderes religiosos.

– A falta de cultura bíblica do povo e a facilidade encontrada nas palavras das atuais Teologia da Prosperidade e no Movimento Carismático colaboram para que cada vez mais, pastores, acadêmicos e estudiosos se utilizem da cultura cristã moderna, que é falha em conhecimento, direcionando-a aos seus interesses – argumentou.

Beira-Mar também defende que Jesus Cristo, em nenhum momento, prometia “fortuna na Terra”.

– Jesus foi um grande problema para a classe dominante de seu tempo e ainda O é. Cristo era um Homem que levava sua Palavra sem se preocupar com estabelecimentos, pregava em montes, praias, cidades e templos, levando o Reino de Deus aos que necessitavam, sem prometer a fortuna na terra, e sim a fé, a caridade e o amor – defendeu o presidiário.

Apesar do isolamento, o “Pablo Escobar brasileiro”, como foi chamado pela imprensa Colombiana ao ser capturado, em 2001, em um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não deixou de controlar seus negócios ilegais. Uma investigação, em maio de 2017, descobriu que ele conseguiu expandir sua atuação através do contato com familiares, amigos e até advogados.

Por causa disso, Beira-Mar, à época preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, foi transferido para Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde permanece até hoje.

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