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WSJ sugere que infiltrado mentiu sobre viagem de Martins aos EUA

Artigo da jornalista Anastasia O'Grady falou sobre registro de viagem de ex-assessor de Bolsonaro

Paulo Moura - 28/07/2025 10h39 | atualizado em 28/07/2025 11h15

Filipe Martins Foto: Arthur Max/MRE

Um artigo deste domingo (27) no Wall Street Journal, assinado pela jornalista Mary Anastasia O’Grady, trouxe graves acusações envolvendo o escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) em Orlando, nos Estados Unidos. Segundo a publicação, o órgão teria incluído duas vezes em seu sistema um registro falso de entrada nos EUA para Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a jornalista, o registro fraudulento estaria sendo usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para sustentar medidas cautelares contra Martins, que é investigado no Brasil por suposta participação em um plano de golpe de Estado.

– Desde março de 2024, o sr. [Alexandre] de Moraes tem usado falsas alegações da CBP para classificar o sr. [Filipe] Martins [como se tivesse] um risco de fuga. Naturalmente, os advogados de Martins querem que o registro seja corrigido. Eles também querem saber quem criou as entradas fantasmas e quando. O CBP se recusa a compartilhar essa informação – destaca O’Grady.

O artigo do Wall Street Journal detalha que o CBP publicou em seu site, em março de 2024, uma entrada do ex-assessor nos EUA na noite de 30 de dezembro de 2022. Esse dado, que chegou a ser removido em junho do ano passado, reapareceu neste mês de julho de 2025.

A advogada de Martins, Ana Bárbara Schaffert, relatou ao jornal que, em abril do ano passado, ao solicitar o documento oficial de entrada (I-94) do ex-assessor de Bolsonaro ao CBP de Orlando, foi informada de que não havia registro de entrada em 30 de dezembro de 2022 e que o último registro de entrada dele no país era de setembro de 2022, por Nova Iorque.

No entanto, duas semanas depois, ao entrar em contato com Nova Iorque para obter o documento relativo a setembro de 2022, a advogada foi surpreendida com a informação de que o sistema, desta vez, exibia um I-94 de Martins do dia 30 de dezembro de 2022, mas com erro na grafia do nome dele e associado a um passaporte declarado como perdido em 2021.

O artigo destaca que o CBP se recusa a informar quem criou os registros e quando, mesmo após solicitações feitas pela defesa de Martins com base na Lei de Liberdade de Informação dos EUA. Embora os documentos tenham sido entregues parcialmente durante um processo judicial na Flórida, os nomes e datas de criação dos registros foram ocultados.

Segundo O’Grady, não há razão aparente para que autoridades americanas inventassem tal viagem. Contudo, ela sugere que alguém infiltrado dentro do CBP poderia ter uma motivação política para agir em prol dos opositores de Bolsonaro.

– Não há motivação americana óbvia para inventar uma viagem de Martins quando isso não aconteceu. Mas alguém trabalhando dentro do CBP em nome dos interesses políticos brasileiros que se opõem ao sr. Bolsonaro teria motivação – finaliza.

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