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Witzel participa de culto para se salvar de impeachment

Governador do RJ tenta articular votos para evitar saída do comando do estado

Paulo Moura - 03/08/2020 14h03 | atualizado em 03/08/2020 15h02

Wilson Witzel visitou culto da Assembleia de Deus Ministério Madureira Foto: Reprodução

Episódios de políticos que resolvem “magicamente” aparecer em igrejas, que geralmente não frequentam, não são novos e alguns deles, inclusive, ficaram bastante famosos, como a ida dos então candidatos Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB) a uma igreja católica durante as eleições de 2018. A mais recente das visitas a uma igreja, porém, não é para chegar ao poder, mas para não sair dele, e envolve o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

Alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e de inquérito na Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura corrupção na Saúde durante sua gestão, o governador Wilson Witzel, do Partido Social Cristão (PSC), esteve na manhã de domingo (2), na Assembleia de Deus Ministério Madureira, na Zona Norte da capital fluminense.

Católico, o ex-juiz federal visitou o templo acompanhado da primeira-dama, Helena Witzel, também investigada. A ida do atual governador do Rio de Janeiro teve direito até a discurso aos fiéis. Na fala, porém, ele evitou citar diretamente o impeachment e se reservou a dizer que “Deus está cuidando de tudo”. Antes, ele ainda participou de um momento de orações.

Apesar de não parecer uma visita política, nos bastidores a convicção é exatamente a contrária, de que o governador buscou a igreja para tentar obter um acordo para se salvar da queda. Segundo a revista Veja, Witzel quer o apoio do pastor Abner Ferreira, um dos líderes do Ministério Madureira, para que ele interceda junto ao deputado federal Otoni de Paula (PSC) em uma tentativa de evitar os votos contrários na Alerj.

Porém, se depender de Otoni, “o pedido já nasce morto”. Em conversa com a Veja, o partlamentar afirmou que o pedido é “absurdo e ridículo” e que não vai atender as supostas solicitações feitas pelo governador para tentar evitar a saída do Palácio Guanabara.

– Uma coisa é o Abner orar e recebê-lo na igreja. É o papel que o bispo sempre faz, respeitar as autoridades por mais que o problema dele (Witzel) seja grave. Se o governador pediu ao Abner, tenho certeza que não vai chegar a mim. Mas, se o pedido chegar por outra pessoa, o que eu vou falar? Vou mandar para onde? Para o inferno? É um absurdo, ridículo – relatou Otoni.

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