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Vídeo: Cabral detalha acusações de propina contra Dias Toffoli

Ex-governador do Rio classificou ministro como líder de "um grupo de pessoas para a busca de vantagens indevidas"

Paulo Moura - 23/05/2021 16h18 | atualizado em 23/05/2021 16h53

Ministro Dias Toffoli, do STF Foto: PR/Carolina Antunes

Uma confissão em vídeo feita pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no dia 14 de setembro de 2020, coloca o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), como o líder de “um grupo de pessoas para a busca de vantagens indevidas”, nas palavras do próprio ex-gestor.

O registro é parte do material que a PF juntou na investigação sobre as delações de Cabral, e que foi usada pela corporação para solicitar a abertura de um inquérito contra Toffoli pela suposta participação dele em um esquema de venda de decisões judiciais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) segue julgando em plenário virtual o recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) justamente contra a validade da delação de Sergio Cabral. Toffoli, porém, nega ter recebido qualquer valor em troca de sentenças no STF ou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e diz desconhecer os fatos citados pelo político.

No vídeo, Cabral relatou à PF supostos pagamentos de propina a Toffoli, depositados pelos prefeitos de Volta Redonda e Bom Jesus de Itabapoana, no Rio. As negociações, que totalizaram R$ 4 milhões, teriam sido intermediadas pelo ex-policial José Luiz Solheiro.

– Participei da articulação para salvar o mandato do prefeito Francisco Neto, em Volta Redonda. Mas o mesmo modus operandi aconteceu com José Luiz Solheiro e tive a informação que se repetiu com a prefeita Branca Mota, de Bom Jesus, no noroeste fluminense – acusa.

Cabral cita ainda no vídeo o que seria o papel da esposa do ministro, a advogada Roberta Rangel, nos fatos narrados por ele durante seu depoimento. De acordo com o ex-gestor, Roberta seria a intermediária entre o esquema e o ex-policial José Luiz Solheiro, e atuaria diretamente com Toffoli para mudar as decisões judiciais.

– O senhor José Luiz Solheiro, ele fazia sempre a intercessão com a doutora Roberta. Foi ele [Solheiro] quem me trouxe a doutora Roberta ao gabinete no Palácio Guanabara, foi por intermédio dele, em 2015, com a doutora Roberta, que foi o salvo o mandato do prefeito Antônio Francisco Neto. A doutora Roberta Rangel atuava diretamente para resolver as decisões, os votos do seu marido Dias Toffoli – disse Cabral.

O ex-governador também cita, sem entrar em maiores detalhes, que o ministro do STF seria o líder de um esquema para obter vantagens indevidas.

– O ministro Dias Toffoli lidera um grupo de pessoas para a busca de vantagens indevidas e sou testemunha disso porque participei inclusive de pagamento de vantagens indevidas – completou.

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