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Vereadoras LGBTQ+ processam Bolsonaro por falas no Flow

Parlamentares viram homofobia em declaração do presidente

Pleno.News - 10/08/2022 16h19 | atualizado em 10/08/2022 18h11

Jair Bolsonaro em entrevista ao podcast Flow Foto: Reprodução / Youtube

A vereadora de São Paulo Erika Hilton (PSOL) e a vereadora suplente de Porto Alegre Natasha Ferreira (PSOL) acionaram o Ministério Público Federal (MPF), nesta quarta-feira (10), contra falas que elas consideram homofóbicas por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) durante participação no Flow Podcast nesta segunda-feira (8). Segundo as parlamentares, o chefe do Executivo cometeu crime de LGBTQfobia ao relacionar, de forma pejorativa, a doença varíola dos macacos (monkeypox) com representantes da comunidade LGBT+.

Durante a entrevista, Bolsonaro perguntou ao apresentador Igor Coelho se ele tomaria vacina contra a varíola dos macacos. Coelho afirmou que sim, e o presidente, em tom irônico, comentou: “Eu tenho certeza que vai tomar… Tu não me engana! Tu não me engana!”.

Segundo a ação das vereadoras, é possível encontrar “piadinhas, deboche, ironia e homofobia” em cada palavra dita por Bolsonaro nesse trecho do programa. O tom da conversa deriva do fato de haver alta incidência da doença entre “homens que fazem sexo com homens” (HSH).

– Fica evidente que os dizeres “tu não me engana, tenho certeza que tu vai tomar e tu não entendeu, né?” são claras menções LGBTQfóbicas do presidente, nas quais ele insinua que ao tomar a vacina o entrevistador seria gay e, por isso, estaria preocupado com a doença – afirma o documento.

Ao Estadão, a vereadora transexual Erika Hilton afirmou que a ação é uma forma de impedir que o presidente tente pautar o debate público com “violência”.

– Se tem algo que Bolsonaro aprendeu nestes anos é cometer crimes contando com a impunidade, disfarçando suas falas como piadas. Entramos no Ministério Público novamente, pois nenhum tipo de estigma negativo e violência, desde os mais sutis aos mais explícitos, podem passar impune – disse.

Em rede social, a parlamentar travesti Natasha Ferreira afirmou que o estigma de que a doença está relacionada com o comportamento homossexual tem feito parte do discurso de grupos conservadores.

– Quando Bolsonaro faz esse tipo de piada nas entrelinhas, tenta se proteger, mas deixa evidente o preconceito e a mensagem de discriminação é entregue. Homofobia é crime no Brasil. Não vamos silenciar – declarou.

*Com informações da AE

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